quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

'Stress' faz disparar problemas de sono nas crianças e jovens



Luís, João e Matilde são irmãos e todos têm dificuldade em dormir. Uma situação cada vez mais frequente entre as crianças e jovens, alertam os especialistas. Na origem da falta de sono está o stress do dia-a-dia da maioria das famílias, que os mais novos também sentem.

Um estudo realizado nos Estados Unidos revela que as crianças dormem hoje menos uma hora do que há 30 anos. E que a falta de sono se reflecte na redução dos níveis de inteligência, num comportamento ansioso e até contribui para o aumento da obesidade.

"Há 15 anos não tinha tantos casos de crianças com problemas de sono", reconhece ao DN o director do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Gomes Pedro. "Actualmente, o stress nas famílias é maior", justifica o clínico. E a maior proximidade de pais e pediatras durante as consultas também ajuda a detectar mais cedo os problemas.

O tempo necessário para dormir varia de criança para criança, mas oito horas é o tempo de sono recomendável pelos médicos. 60% das crianças e jovens ouvidas pelos autores do estudo norte-americano confessaram sentirem-se sonolentos durante o dia, porque dormiam menos de sete horas por noite. O que tem consequências no seu aproveitamento escolar ou nos níveis de ansiedade durante o dia.

No caso de Luís, 20 anos, e João, de 17 anos, a falta de uma noite descansada não se repercutiu nas notas. Já Matilde, de cinco anos, deixou de ir ao infantário durante cerca de dois meses devido aos problemas de sono que a faziam acordar tarde e cansada.

"De um momento para o outro deixou de dormir. Só conseguia descansar um pouco se fosse para a minha cama e há muito que tinha perdido esse hábito", recordou ao DN a mãe, Maria José Salgueiro. Além da falta de sono, os pesadelos estragavam o pouco que conseguia dormir e, para agravar, começou a urinar com frequência.

As causas não são claras, mas quando em Novembro a família ficou doente, com suspeitas de gripe A, Matilde, sendo a mais nova, "recebeu muitos miminhos". No regresso à normalidade, a criança sentiu muito esta separação. "Começou a não querer ir para o infantário, achava que eu não gostava tanto dela, que não a queria comigo", contou a mãe. O stress de se separar da mãe terá estado na origem da falta de sono. A criança passou também a estar muito ansiosa durante o dia.

Já no caso de Luís foi a preocupação com o irmão que lhe roubou o descanso. Como filho mais velho sempre levou muito a sério o seu papel de proteger o irmão João, que é surdo profundo. "Preocupava-se com tudo. Qualquer problema faz com que durma mal. Sempre foi assim", afirmou a mãe.

João é uma situação "mais normal" entre os jovens que dormem mal. Gosta de estar bem preparado na escola e perde o sono principalmente nas alturas dos testes. Mas, tal como Luís, nunca recorreu a um médico. Afinal bastava um pouco de calma para controlar a ansiedade e conseguir dormir.

Com Matilde, Maria José Salgueiro optou por ir ao pediatra e o segredo para que a filha voltasse a dormir descansada na cama exigiu muita calma e paciência. Tanto Gomes Pedro como o psicólogo Bruno Pereira Gomes recomendam que o primeiro passo seja recorrer ao pediatra.

"Só em situações extremas é que há mesmo a necessidade de recorrer a um psicólogo. A solução para que uma criança normalize o seu sono passa pela existência de rituais, como uma hora concreta de ir para a cama", referiu ao DN Bruno Pereira Gomes.

Gomes Pedro salienta que as crianças absorvem todos os problemas familiares. E que para resolver a situação "há que reorganizar a desorganização". Por isso, é importante que os pediatras sugiram aos pais estratégias para garantir que os filhos tenham uma noite descansada (ver caixa), o que pode passar por uma simples mudança de hábitos.

A opinião é partilhada por Bruno Pereira Gomes. "Muitos pais têm problemas em se impor e as crianças vão testando os limites." Depois, há um ponto essencial: "Hoje em dia as crianças têm uma vida muito sedentária. As crianças precisam de tempo para extravasar a energia", conclui.

Fonte: Elisabete Silva, DN

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