sábado, 30 de julho de 2011

Habitantes dos polos têm os olhos e os cérebros maiores

Investigação da Universidade de Oxford demonstra uma forte correlação entre a região onde se vive e a dimensão do cérebro e dos olhos. No Equador são mais pequenos do que nos polos.


As pessoas que vivem em latitudes mais altas têm os olhos maiores e os seus cérebros processam mais rapidamente a informação visual, quando comparadas com aquelas que vivem mais perto do Equador.
De acordo com um estudo do Instituto de Antropologia Cognitiva e Evolucionista da Universidade de Oxford , à medida que nos afastamos do Equador a luminosidade decresce, aumentando as dimensões dos olhos dos humanos.
"Os seus cérebros também precisam de ser maiores para lidar com os estímulos visuais. Isso não significa que a estas latitudes as pessoas sejam mais inteligentes, quer apenas dizer que estas pessoas precisam de cérebros maiores para conseguirem ver melhor", explicou ao "The Guardian" Eiluned Pearce , uma das autoras do estudo.
Dito de outra forma: um habitante da Gronelândia e um do Quénia têm a mesma habilidade para discernir detalhes, mas o que vive mais a norte precisa de um cérebro e olhos maiores para lidar com a menor intensidade luminosa.

Dez mil anos de evolução 


O professor Robin Dunbar , co-autor do estudo, contou ao "The Guardian" que as pessoas cujos antepassados habitaram no círculo Ártico têm os olhos 20% maiores do que aqueles que vivem perto do Equador. Segundo este investigador, ficou demonstrada uma forte correlação entre a dimensão do córtex visual e a dimensão da cavidade ocular.
No âmbito deste estudo, os investigadores fizeram medições em 55 cérebros do Museu de História Natural da Universidade de Oxford , datados do século XIX, oriundos de 12 populações de regiões diversas da Inglaterra à Austrália, da Escandinávia à Micronésia.
Os resultados, publicados ontem no jornal científico "Biology Letters ", mostram que os escandinavos têm os maiores cérebros (1484 mililitros) e os habitantes da Micronésia os mais pequenos (1200 mililitros). As cavidades oculares dos escandinavos mediam 27 mililitros e os da Micronésia 22 mililitros.
Segundo o professor Dunbar, esta evolução terá decorrido ao longo dos últimos dez mil anos, altura a partir da qual os humanos começaram a habitar a latitudes mais altas.
 http://aeiou.expresso.pt - 28/
07/2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cérebro. Investigadores transformaram células da pele em células nervosas. Vão usá-las para perceber como vão morrendo



Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, criou um banco
de células nervosas artificiais para tentar travar a doença de Parkinson.
Naquele que é o primeiro estudo em larga escala para encontrar uma cura para uma das demências mais comuns na velhice – calcula-se que 6 milhões de pessoas em todo o mundo sofram da doença – os investigadores estão a usar uma nova técnica para criar células estaminais, que lhes permite transformar uma minúscula amostra de pele de um doente numa minúscula amostra do cérebro do doente.
O Parkinson vai destruindo as células do cérebro que produzem dopamina, que são essenciais para controlar os movimentos – provocando tremores e desequilíbrio – e o humor.
A equipa diz que esta técnica lhes vai permitir analisar as células nervosas ao ritmo a que vão envelhecendo e esperam conseguir travar essa deterioração. A primeira amostra de células nervosas cultivadas em laboratório pertence a Derek Underwood, um homem de 56 anos de Oxfordshire, que foi obrigado a reformarse prematuramente devido à doença. As células da pele de Underwood foram cultivadas em laboratório. Depois serão “reprogramadas” para se transformarem em células nervosas.
Os investigadores vão ago
ra recolher amostras de outros 50 doentes, que serão estudadas ao longo dos próximos cinco anos.
“O cérebro é um órgão inacessível e não podemos facilmente retirar amostras para que
possa ser estudado. Mas agora há uma forma de o fazer. Temos as células de Derek disponíveis e podemos replica-las em quantidades ilimitadas para serem estudadas”, explicou o líder da equipa britânica, Richard Wade Martins.
O primeiro passo desta investigação passa por comparar as células retiradas a doentes de Parkinson com outras de volu
ntários livres da doença.
Ou seja, pela primeira vez os investigadores vão poder analisar a forma como se comportam as células saudáveis e a forma como se processa a sua deterioração.“Podemos perceber os processos celulares que fazem morrer as células e perceber porque é que elas começam a adoecer”, explica o responsável, citado pela BBC online. “E queremos perceber se algum tratamento pode reverter este processo e ajudar os doentes a voltar a recuperar as funções cerebrais”.

Apesar de a Parkinson não ter cura, os seus sintomas podem ser combatidos com medicamentos.




























Diário de Notícias (edição im
pressa) - 20/06/2001

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Primeira vaca clonada com dois genes humanos


Um laboratório argentino anunciou o nascimento da primeira vaca clonada no mundo com dois genes humanos, para produzir um equivalente do leite materno que pode proteger os bebés contra doenças e promover o seu desenvolvimento.

"A vaca clonada, 'baptizada' Rosita ISA, é o primeiro bovino nascido no mundo com dois genes humanos que contêm as proteínas presentes no leite materno", segundo o Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola (INTA).

Nicolas Mucci, um dos três responsáveis pelas investigações conduzidas pelo INTA e pela Universidade Nacional de San Martin, disse à agência noticiosa francesa AFP que aquele leite protegerá os bebés e melhorará a sua absorção de ferro.

Adiantou que o vitelo nasceu a 06 de abril e que é vigiado "24 sobre 24 horas".

"O objectivo é melhorar o valor nutricional do leite de vaca juntando dois genes humanos, as proteínas lactoferrina e lisozima", declarou um outro investigador, Adrian Mutto, da Universidade Nacional de San Martin.

Dentro de 10 meses, os investigadores vão poder confirmar se as proteínas estão presentes no leite de Rosita, realizando uma simulação de gravidez.

O objectivo da experiência é que na idade adulta a vaca possa produzir "leite semelhante ao dos seres humanos", indicou o INTA.

DN 11/06/2011



Autismo, uma doença de muitas mutações


O autismo não é uma doença única - são muitas doenças. E pode surgir devido a uma panóplia de mutações raras, que não são herdadas do pai ou da mãe, surgem espontaneamente, num mínimo de 250 a 300 pontos do genoma, e afectam o desenvolvimento do sistema nervoso da criança, adiantam três artigos científicos publicados hoje na revista Neuron. Estes tentam avançar também com uma explicação para a desigualdade da doença relativamente aos sexos, ao afectar quatro vezes mais rapazes do que raparigas.

Foram estudadas mil famílias que têm um filho saudável e outro com uma das desordens do espectro do autismo - designação onde cabem muitas doenças diferentes. Esta base de dados foi uma das novidades metodológicas, sublinha um comunicado da Fundação Simons, a instituição americana que a coligiu: a maioria dos estudos feitos até agora concentrou-se em famílias onde mais do que um filho é autista, o que implica uma forte componente hereditária. Se só um dos filhos é autista, a explicação genética é, provavelmente, diferente.

Os cientistas concentraram-se assim na busca das mutações genéticas que surgem espontaneamente nas crianças afectadas. Michael Wigler, do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Nova Iorque, um dos líderes da equipa de investigadores, tinha desenvolvido a hipótese de que estas mutações podiam estar na origem de pelo menos metade dos casos de desordens do espectro autista. Algo de semelhante acontece com outra doença mental, a esquizofrenia.

Estas mutações de novo, ou espontâneas duplicam, ou então apagam, segmentos de ADN do genoma (pense num romance em que são apagadas aleatoriamente algumas linhas de texto, ou então repetidas outras linhas, um certo número de vezes). Toda a gente tem alguns fragmentos de ADN apagados ou repetidos; mas na maioria dos casos não afecta genes essenciais, nem causa doenças.

Elas e as sinapses

Nestes estudos publicados na Neuron, os cientistas descobriram muitas destas mutações em oito por cento dos irmãos com autismo. Isto quer dizer que as mutações são quatro vezes mais frequentes nos irmãos afectados do que nos saudáveis. Pelo menos 75 das mutações descobertas pareciam prometedoras para a investigação e em seis delas é provável que se façam descobertas interessantes.

Um dos estudos concentrou-se em tentar perceber se estas zonas do genoma sugeriam alguma espécie de coerência, uma rede funcional ou molecular. E, curiosamente, os resultados foram positivos, diz o trabalho coordenado por Dennis Vitkup, da Universidade Columbia, em Nova Iorque. "Esta análise dá uma boa base de sustentação à hipótese de que na origem do autismo esteja a perturbação da formação de sinapses", escreve a equipa na Neuron.

As sinapses são os pontos de junção que permitem aos neurónios comunicar entre si, trocando sinais químicos ou eléctricos, transmitidos através das suas extensões, axónios e dendrites.

Será que as raparigas são mais resistentes às desordens do espectro do autismo porque "atingem um certo número de marcos de desenvolvimento cognitivo" mais cedo do que os rapazes?, lança a equipa de Wigler na Neuron como hipótese. "Por exemplo, em geral, as meninas dizem as suas primeiras palavras numa idade mais precoce. Um ritmo de desenvolvimento mais rápido poderia reflectir uma robustez que protegesse o sexo feminino", escrevem.

O autismo é diagnosticado a partir dos três anos de idade e o estudo revelou que, para que as meninas sejam afectadas pelas mutações genéticas espontâneas, estas têm que ser muito maiores e têm que atingir muito mais genes do que no caso dos rapazes (15 genes por mutação em média para elas, dois para eles).

Além disso, quando as mulheres são autistas, é mais provável que tenham uma forma severa da doença. Entre os homens, há mais casos de pessoas que conseguem funcionar relativamente bem em sociedade, apesar de sofrerem de uma desordem que afecta, precisamente, as suas capacidades de relacionamento social.

Williams, no ponto oposto

Uma outra descoberta tem implicações curiosas para o estudo da base genética do nosso cérebro social: algures no braço mais curto do nosso cromossoma 7 fica uma região denominada "7q11.23" que está associada a uma doença chamada síndrome de Williams, que é o oposto do autismo: faz com que as pessoas se tornem altamente empáticas e sociáveis, extremamente sensíveis ao estado emocional dos outros. Isto, porque naquela região surgiram mutações que fizeram surgir cópias extra do genoma.No caso das mutações detectadas agora, associadas ao síndrome do espectro autista - em que há dificuldade em comunicar com os outros e manter relações sociais, em termos gerais -, faltam segmentos de ADN.

"Esta região do genoma pode tornar-se a Pedra de Roseta para estudar o desenvolvimento do cérebro social", tal como a célebre pedra serviu para decifrar os hieróglifos egípcios, comentou Matthew State, da Universidade de Yale, outro membro da equipa, citado num comunicado da Fundação Simons.

Mas não é de esperar que deste estudo saia uma "bala mágica", um medicamento contra o autismo - porque não existe uma doença única, ou um gene único que cause a cause. "A diversidade é tal que um único tratamento visando uma forma específica do autismo pode não ter efeito sobre a maioria dos casos", explica Michael Wigler, citado pela agência AFP.

"Mas quando os genes com mutações relacionadas com o autismo forem identificados", disse ainda, pensando numa próxima geração de tecnologia, "poderemos começar a pensar nos problemas específicos de cada criança, e não em tratar vários problemas em conjunto."

O autismo, que parece estar em crescimento - ou é cada vez mais detectado, provavelmente -, afectando pelo menos um por cento da população, está a assemelhar-se a outra doença da modernidade. "Uma complexidade genética semelhante é aparente em muitos cancros", sublinha a equipa de Vitkup, que verificou se as mutações ligadas ao autismo teriam alguma coerência funcional.

Clara Barata
Público online - 09/06/2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Britânica acorda com sotaque francês depois duma enxaqueca


A britânica Kay Russell, depois duma forte crise de enxaqueca, acordou a falar duma maneira que soa a um sotaque francês.

Russell diz que não se sente a mesma pessoa e que perdeu a confiança de falar em público. “Algumas pessoas dizem-me que o meu sotaque soa a alguém da Europa de Leste ou da Rússia”, diz, citada pela BBC.
A desordem, que é conhecida como Síndroma do Sotaque Estrangeiro, é extremamente rara e pode ocorrer quando zonas do cérebro que controlam a fala são afectadas por um derrame ou algum tipo de lesão. Na realidade, a lesão causa um problema na fala mas que é interpretado pelos ouvintes como um sotaque estrangeiro.
Nick Miller, neurologista da universidade de Newcastle, é um dos poucos especialistas da doença a nível mundial, explica à BBC que a síndroma não tem cura e que os efeitos podem ser devastadores. “Muitos pacientes falam sobre a perda do sotaque antigo como se de um luto se tratasse. Eles perderam parte de si mesmos, parte da sua personalidade”.

|http://www.ionline.pt

terça-feira, 31 de maio de 2011

Apple provoca reacção 'religiosa' no cérebro


Cientistas britânicos podem ter descoberto a razão - pelo menos em parte - da popularidade da Apple: os produtos da empresa de Steve Jobs provocam nos seus fãs reacções no cérebro semelhantes às das experiências religiosas.

A surpreendente descoberta foi mostrada no programa da BBC Secrets of the Superbrands, emitido no Reino Unido na noite de ontem, quinta-feira, e hoje reportado em vários sites dedicados a ciência e tecnologia.

A produção do programa pediu a cientistas para analisarem o que acontece ao cérebro de um fanático da Apple enquanto observa os gadgets produzidos pela empresa.

A 'cobaia' escolhida, segundo o site CNet, foi o blogger e 'viciado' em Apple Alex Brooks, que além de manter uma página na net dedicada aos aparelhos da maçã ainda invoca o recorde de ter estado presente na inauguração de 30 lojas da marca em todo o mundo.


Os especialistas colocaram Alex Brooks numa máquina de ressonância magnética e estudaram, em tempo real, as alterações fisiológicas do seu cérebro cada vez que lhe era mostrada uma fotografia de um produto Apple.

Quando comparadas estas medições com outras semelhantes realizadas em pessoas muito religiosas - e expostas a imagens ligadas à sua fé - os neurologistas encontraram efeitos semelhantes. Ou seja, o cérebro de Alex Brooks reagiu perante um iPhone ou um iPad de uma forma parecida com a reacção de um cristão fundamentalista perante um crucifixo, por exemplo.

O programa Secrets of the Superbrands, da BBC, propõe-se a estudar o impacto nas nossas vidas de grandes marcas como a Apple, Google, Microsoft ou Nokia.
Diário de Notícias 20/05/2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O gene da felicidade?



Cientistas associam gene à felicidade

Uma pessoa com duas variantes longas de um gene pode ter mais facilidade em ver o lado bom das coisas e por isso ser mais feliz, pelo menos de acordo com um estudo que vai ser publicado na revista Journal of Human Genetics.

O trabalho foi feito a partir de um estudo norte-americano que observou a saúde dos adolescentes ao longo de 13 anos, entre 1995 e 2008. Para o trabalho de Jan-Emmanuel De Neve, investigador da Escola de Londres de Economia e Ciência Política, foram analisados 2574 adolescentes.

O objectivo era tentar perceber por que é que algumas pessoas parecem naturalmente mais felizes do que outras. A conclusão que o cientista chegou é que as pessoas que nascem com duas versões maiores do gene chamado 5-HTT têm mais probabilidades de dizerem que estão satisfeitas com a vida, do que aqueles com uma versão mais curta.

Este gene está envolvido no transporte de serotonina – o químico, que entre outras coisas, está associada ao sentimento de bem-estar. A variante longa deste gene permite uma libertação e uma reciclagem melhor da serotonina, do que a variante mais pequena. Cada pessoa tem duas variantes do gene, uma vinda do cromossoma do pai e outra do cromossoma da mãe.

Os 2574 adolescentes responderam a um inquérito que perguntava quão satisfeitos estavam com a sua vida. As respostas variavam entre “muito satisfeito”, “satisfeito”, “nem satisfeito, nem insatisfeito”, “insatisfeito” e “muito insatisfeito”.

Analisando a informação genética destes adolescentes, mais precisamente quais as variantes que cada um tinha para o gene 5-HTT, a equipa de De Neve verificou que 69 por cento dos que tinham duas cópias grandes do gene diziam que estavam satisfeitos (34%) ou muito satisfeitos (35%).

Por outro lado, os que tinham duas cópias curtas, só 38% diziam que estavam satisfeitos (19%) ou muito satisfeitos (19%). Ao todo, cerca de 40 por cento dos adolescentes disseram que estavam "muito satisfeitos" com a vida.

“Os resultados sugerem uma ligação forte entre a felicidade e a variação funcional deste gene”, disse o investigador citado pelo jornal britânico “The Telegraph”.

“Claro que o nosso bem-estar não é determinado por apenas um gene – outros genes e especialmente a experiência que vamos tendo ao longo da vida continua a explicar a maioria da variação entre a felicidade de cada um.”

http://www.publico.pt/Ciências/cientistas-associam-gene-a-felicidade_1493419


09.05.2011

Teórico das inteligências múltiplas ganha Prémio Príncipe das Astúrias






















O cientista norte-americano Howard Gardner ganhou hoje o Prémio Príncipe das Astúrias das Ciências Sociais 2011, pelo trabalho feito na área da cognição e aprendizagem, onde desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas. O prémio de 50 mil euros será entregue no Outono.




Gardner apresentou a sua teoria das inteligências múltiplas em 1983, com a qual mudou radicalmente o modo de entender a cognição, a inteligência e a educação.

O cientista, nascido em 1943 nos Estados Unidos e que obteve um doutoramento em psicologia social, pela Universidade de Harvard, em 1971, defende que não existe uma inteligência única. Considera que cada indivíduo possui pelo menos oito habilidades cognitivas. Estas inteligências são a linguística, lógico-matemática, corporal-cinestésica, musical, espacial, naturalista, interpessoal e intrapessoal.

Segundo a teoria, as oito não têm um valor intrínseco e “o comportamento do indivíduo na sociedade, fazendo uso da sua inteligência, constitui uma questão moral fundamental”, diz o comunicado em que é divulgada a atribuição do prémio. A teoria é em si mesma uma grande crítica à forma como se via a inteligência e como esta era avaliada, por exemplo através dos testes de QI.

“Estou entusiasmado e honrado por receber este prestigioso prémio”, disse em comunicado Howard Gardner, acrescentando que sempre se considerou um cientista social.

O norte-americano criticou a prevalência quase absoluta dos métodos quantitativos nas ciências sociais anglo-saxónicas, e disse ter ficado contente pelo “prémio reconhecer uma vertente das ciências sociais que envolve analises qualitativas e uma sintese alargada do conhecimento”.

Desde 1972, Gardner é co-director do Projecto Zero, na Universidade de Harvard, onde tem vindo a desenvolver um modelo de uma “escola inteligente”, na qual a aprendizagem é fruto do acto de pensar. A maior parte do trabalho está a ser aplicado em escolas públicas norte-americanas, principalmente em bairros pobres.

O cientista já publicou 25 livros, traduzidos em 28 línguas, e recebeu 26 doutoramentos honoris causa. Ganhou em 1984 o Prémio Nacional de Psicologia dos Estados Unidos. Em 2005 e 2008 foi considerado um dos cem intelectuais mais influentes do mundo pelas revistas Foreign Policy e Prospect.

Este é um dos oito prémio que a Fundação Príncipe das Astúrias atribui, todos os anos. Antes, foi anunciado o prémio das Artes ao director de orquestra italiano Riccardo Muti. Nas próximas semanas serão atribuídos os prémios da Comunicação e Humanidades, Investigação Científica e Técnológica, Letras e Cooperação Internacional. Os prémios para o Desporto e da Concórdia serão atribuídos em Setembro, antes da cerimónia feita no Outono, onde os premiados recebem o galardão, pela mão do príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon.

Anthony Giddens e Paul Krugman foram outros cientistas que receberam este prémio.


http://www.publico.pt/Ciências/teorico-das-inteligencias-multiplas-ganha-premio-principe-das-asturias_149370511.05.2011 - 16:13 Por Nicolau Ferreira

terça-feira, 22 de março de 2011

Como os cegos ‘ vêem’ com a audição


Adaptação. Cérebro redirecciona a informação para os ouvidos no caso das pessoas que nasceram sem ver

A audição torna-se na visão de quem nasceu cego. É esta a conclusão, de forma simplificada, de um estudo realizado no Canadá, que comprovou que o cérebro tem a capacidade para redireccionar a informação para os ouvidos no caso das pessoas que nasceram sem ver, demonstrando que é uma “ máquina orientada pelas funções” e não “ puramente sensorial”.

Neste estudo dirigido por Oliver Collignon, do Centro de Investigação do Hospital Saint-Justine, da Universidade de Montreal, os investigadores trabalharam com 11 pessoas cegas desde a nascença e com outras 11 com visão. A actividade cerebral foi analisada através de ressonâncias magnéticas, durante as quais as pessoas iam recebendo sons de diferentes tons. “ Os resultados demonstraram uma surpreendente plasticidade do cérebro”, salientou Collignon. A plasticidade cerebral é a capacidade que o cérebro tem de se remodelar de acordo com as experiências a que é sujeito, reformulando as suas conexões em função das necessidades e dos factores do ambiente em que se encontra.

O neuropsicólogo acrescentou que o cérebro privado da visão é “ suficientemente flexível para utilizar um nicho de neurónios para desenvolver e executar funções que são próximas das exigidas pelos restantes sentidos”. O que significa que esta pesquisa demonstra que o cérebro deve ser considerado “ uma máquina orientada pelas funções, em vez de uma máquina puramente sensorial”.

Apesar de demonstrado que o cérebro redirecciona informação, o que os investigadores ainda não conseguiram entender é como se realiza este processo. “ É possível que este redireccionar aconteça como parte das nossas conexões neurais que estão sempre em mudança”, referiu Collignon. No entanto, para já, não passa de uma teoria que vai agora ser investigada.

Este estudo baseou-se em outras investigações que indicavam que os invisuais tinham uma maior capacidade auditiva, pelo que o resultado final deste último, agora divulgado, não surpreendeu Carlos Lopes. O presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal ( ACAPO) e ex-atleta paralímpico confirma que é natural que ao ficar privado da visão, os outros sentidos fiquem mais apurados, principalmente a audição. “ É o sentido que nos permite ter o contacto mais directo com a realidade que nos rodeia”, salientou ao DN. Porém, realça ainda outro pormenor importante a ter em conta: “ A atenção é também diferente. Nós temos de tomar atenção a tudo e, nomeadamente com a audição, temos de estar atentos aos sons que para quem vê não são tão importantes, pois processa essa mesma realidade através da visão.”

Carlos Lopes prefere falar da necessidade que se tem em aprender a potenciar os restantes sentidos quando não se tem visão. “ Isto é relativo à audição, mas também aos restantes sentidos.” Mas realça ainda o problema que é quando alguém que não vê tem também problemas de audição. Ou seja, torna-se difícil aplicar a atenção e a aprendizagem quando dois dos sentidos que mais rapidamente dão a percepção da realidade não estãofuncionais.

| Elisabete Silva, DN - 21.03.2011 (Edição impressa).

domingo, 20 de março de 2011

Livro "Portugal invísível" - O drama do assédio moral


Inspirados pelo livro La France invisible, os 16 autores deste livro, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, procuram mostrar fenómenos da realidade portuguesa que são menos visíveis socialmente.
Os coordenadores António Dornelas, Luísa Oliveira, Luísa Veloso e Maria das Dores Guerreiro, consideram que os aspectos focados são, nalguns casos, invisíveis “porque ocorrem na esfera da privacidade dos indivíduos e das famílias” e que, noutros casos, fazem parte do mundo oculto do trabalho e das empresas (trabalho clandestino, assédio moral) ou não são facilmente perceptíveis ao entendimento do cidadão comum (mercados financeiros e agências de rating).
Mostrando razões para a ocultação destas situações, os autores querem saber de que forma e em que medida “a parte ‘invisível’ da realidade social condiciona e influencia as decisões tomadas no lado ‘visível’”. E, citando os organizadores da obra francesa, acrescentam que “a existência de invisíveis numa sociedade que dispõe de inúmeros instrumentos para se conhecer convida a repensar a questão dos usos sociais dos dispositivos de acção pública e das instituições” (Beaud, Confavreux, e Lindgaard, 2006).
Em nove capítulos, os autores, com formações variadas – da Psicologia à Sociologia, passando pela Economia e pela Saúde Pública –, fazem um retrato do país oculto, que a leitura deste livro tornará mais transparente.
www.gulbenkian.pt
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Assédio moral tem-se agravado com transformações laborais, diz investigadora

Não há estatísticas, porque as pessoas não as denunciam, mas as situações de assédio moral têm-se agravado, afectando homens e mulheres, velhos e novos, realça a socióloga Luísa Veloso.

Não sendo um problema social “novo”, o assédio moral tem vindo a adquirir “uma expressão maciça”, potenciada pelas mudanças nas economias e nos mercados de trabalho, explica a investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, que, em conjunto com Luísa Oliveira, também socióloga e investigadora na mesma instituição, escreve sobre o assédio moral no livro “Portugal Invisível” (ed. Mundos Sociais), recentemente lançado.

O assédio moral engloba “situações várias”, que não são recentes nas sociedades contemporâneas, mas “que se têm vindo a agravar”, em que se verifica uma “infernização do quotidiano das pessoas”, no local de trabalho, por parte dos superiores hierárquicos ou dos próprios colegas, resume Luísa Veloso, em declarações à agência Lusa.

As pessoas passam a ter de “desempenhar funções para as quais não estão preparadas” ou a “trabalhar muito mais horas do que é suposto” ou a serem forçadas a assumir mais responsabilidades ou exigências, enumera.

Casos destes, alerta, estão por todo o lado, nas empresas privadas ou nos organismos do Estado e incidem quer sobre “quem fica e permanece no ativo, a trabalhar”, quer sobre os trabalhadores que os patrões querem dispensar recorrendo a um “processo silencioso” que passe por cima dos direitos sociais adquiridos.

Todas são “situações muito perturbadoras”, que configuram “um atentado à dignidade humana”, e “muito prejudiciais à própria saúde das pessoas”, quer mental quer física, pois resultam, frequentemente, noutras doenças, refere Luísa Veloso. “O valor económico deste problema -- escrevem as investigadoras no artigo -- não é despiciendo se atendermos aos gastos das empresas e do Estado, tendo em conta que se trata de um problema de saúde pública”, o que “impõe uma reflexão pública”.

Pode chegar-se ao ponto de “a pessoa chegar para trabalhar e não ter nada na sua secretária”, exemplifica Luísa Veloso, recordando que das três vítimas de assédio moral entrevistadas para o trabalho de investigação realizado uma “até chorou”. “É um poço sem fundo”, resume.

Uma psiquiatra e um advogado colaboraram no estudo retratando todos os casos “absolutamente dramáticos” que lhes chegam às mãos. Foi difícil convencer as vítimas a partilharem as suas experiências, porque “as pessoas não denunciam, há uma vergonha social muito grande” e, por outro lado, “nem sempre têm consciência do estado em que se encontram”, justifica Luísa Veloso.

Faltam estatísticas e muitas vezes estes casos são assinalados como depressão, por exemplo, não se estabelecendo as causas sociais do problema.

O assédio moral afeta tanto homens como mulheres e não escolhe idades. “As pessoas na faixa dos 45-50 anos são muito objeto de chantagem para saírem”, enquanto os jovens fazem “uma aceitação tácita de determinadas condições”: “trabalhar muitas horas por dia” ou ser “insultado ou humilhado publicamente por parte do superior hierárquico em frente aos colegas”, descreve Luísa Veloso.

“O mercado de trabalho mudou muito” e hoje existe “muita insegurança” e “muitos jovens, e mesmo pessoas mais velhas, que já têm compromissos materiais -- endividamentos com a banca -- e que têm as suas famílias, aceitam situações que muitos de nós nem sequer sonham que existem”.
| Público - 20.03.2011

Tecnologia Aprovado aparelho auditivo que transmite som através da mandíbula


Um novo aparelho auditivo que transmite o som através dos ossos da boca e dos dentes acaba de ser aprovado para uso no espaço europeu.

O aparelho, chamado SoundBite, redirecciona o som para o ouvido interno através da mandíbula. Deve ser colocado em contacto com os molares e cada aparelho terá de ser feito à medida de cada paciente.

Os aparelhos auditivos tradicionais aumentam o volume dos sons propagados pelo ar. O SoundBite faz uso de uma estratégia diferente: a condução do som através do osso.

Primeiro, uma rede de pequeníssimos microfones é colocada atrás do ouvido com problemas e estes microfones servem para captar o som e, ao mesmo tempo, diminuir o ruído envolvente. O som é transmitido depois para a prótese que está na boca e que reenvia as vibrações através dos dentes e ossos directamente para a cóclea - a parte do ouvido interno responsável pela audição propriamente dita - atravessando o ouvido externo e médio.

A empresa que criou este aparelho, a Sonitus Medical, é o primeiro dispositivo não-cirúrgico a fazer uso da propagação do som através dos ossos.

O problema está no facto de o aparelho necessitar que o paciente tenha enfiada na boca uma prótese e, numa situação de diálogo, o paciente terá provavelmente de estar sempre a pôr e a tirar a prótese da boca, quando quiser falar.

Além disso, o britânico Royal National Institute for Deaf People já veio dizer que o aparelho poderá não ser aconselhado a todos os pacientes.

| Público - 17/03/2011

Reprodução em flores usa sistema de comunicação que existe nos neurónios


O tubo polínico é uma célula vegetal incomum, nasce a partir do grão de pólen, no topo do órgão reprodutor feminino que está na flor da planta, e cresce sem parar até fecundar o óvulo. Em certas espécies, como no milho, esta distância é de meio metro. Nunca se percebeu como a célula cresce na direcção correcta, mas agora uma equipa do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, descobriu que as paredes do ovário da planta produzem uma molécula que ajuda nesta caminhada, este processo fisiológico já era conhecido nos neurónios. A descoberta foi publicada hoje na edição online da revista Science.

O tubo polínico tem as mesmas características de certas leveduras e fungos filamentosos que crescem só numa direcção. Têm que ter “um tipo de crescimento muito rápido e precisam constantemente de informação do ambiente para saber se viram para a esquerda ou se continuam em frente”, disse ao PÚBLICO José Feijó, líder da equipa responsável pelo estudo.

O tubo polínico carrega ao longo do pistilo, o órgão reprodutor da planta, o núcleo que vai fecundar o óvulo e formar as sementes. Para isso tem que crescer, ou seja, produzir constantemente a parede de celulose que reveste todas as células vegetais. Há vários sinais e substâncias que intervêm neste crescimento e que a equipa do IGC tem vindo a estudar. Um deles é o ião de cálcio, que tem oscilações de concentração dentro da célula. Não se sabe “porquê é que estes padrões do cálcio são importantes na fisiologia das células”, explicou o cientista. O certo é que acontece em muitos processos celulares de diferentes organismos.

No caso dos tubos polínicos da planta do tabaco e da espécie vegetal Arabidopsis thaliana, estudados pela equipa, os cientistas descobriram que o receptor do glutamato, uma proteína que atravessa as membranas das células e que também existe nos neurónios, é responsável pela entrada destes iões de cálcio para dentro da célula. Quando Erwan Michard, primeiro autor do artigo, e colegas utilizaram in vitro bloqueadores deste receptor, os tubos polínicos passaram a crescer mal.

A equipa foi mais longe e identificou que o D-glutamato é a substância que melhor activa estes receptores in vitro. Na Arabidopsis, a substância é produzida em concentrações elevadas no pistilo. Quando os cientistas puseram grãos de pólen a crescer em plantas mutadas que não fabricavam a enzima que produz o D-glutamato, os tubos polínicos “andavam perdidos”. O D-glutamato funciona assim como um sinalizador para o tubo polínico alcançar o óvulo.

“Esta é uma via de sinalização completamente nova que nunca foi encontrada em plantas”, explicou Feijó. Mas já se conhecia nos animais. As células nervosas utilizam receptores de glutamato que são activados também pelo glutamato na comunicação de uma célula para a outra.

José Feijó explica que não se sabe se os genes que codificam estes receptores em plantas e em animais têm um antepassado comum ou se são adaptações independentes. “As coisas acontecem porque funcionam”, disse o cientista. Mas “é excitante o mesmo tipo de moléculas e canais serem utilizados para a comunicação”.

| Nicolau Ferreira, Público - 17.03.2011
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