sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Automutilação cresce entre os mais jovens

Criar proximidade e falar abertamente do assunto são estratégias para detectar sinais de perigo e prevenir suicídios e automutilações.

A depressão é a principal causa de suicídio em todas as idades, incluindo os jovens", afirma Daniel Sampaio, autor de extensa bibliografia sobre a matéria e investigador do Núcleo de Estudos do Suicídio do Hospital de Santa Maria, Lisboa. "Há um continuum de sofrimento, de desesperança. Não é por ter uma negativa ou perder a namorada que um jovem se mata. Os suicídios repentinos são excepcionais", sublinha.

Há uma história de tristeza intensa e prolongada, alterações no sono e no apetite, falta de esperança na vida e nos outros, culpa, desespero e, frequentemente, ideação suicida claramente verbalizada. "Entre os que se suicidaram, 70% avisaram que o iam fazer", alerta o psiquiatra, que enfatiza a necessidade de valorizar sempre essas mensagens. Valorizar não significa culpar ou repreender, mas, antes, "criar proximidade". Ou seja, gerar oportunidades para se falar do assunto, sem mitos ou tabus, e estar presente, o mais possível. Pedir ajuda especializada é também aconselhável quando os sintomas se avolumam.

Os sinais de depressão nem sempre são descodificados pelos pais, professores e amigos. São confundidos com a instabilidade emocional característica da adolescência. Daniel Sampaio explica que o comportamento normal distingue-se do patológico pela intensidade e persistência com que se apresenta. "Se um jovem tira uma negativa, não é significativo, mas se tirar quatro ou cinco pode ser. Se de vez em quando, gosta de estar sozinho no quarto é normal, mas se o isolamento social é persistente, pode ser problemático. Gritar numa discussão não é relevante, mas se o jovem grita todos os dias e recusa frequentemente o convívio familiar, pode ser motivo de alarme."

Num contexto de sofrimento e de desesperança quanto ao futuro, perdas, humilhações, rejeições ou fracassos podem ser a gota de água que transborda o copo do desespero e espoletar o suicídio.

Um estudo realizado em 1999, com 800 adolescentes de vários pontos do país, concluiu que um terço dos jovens apresentava ideação suicida. A passagem do pensamento ao acto depende, porém, de vários factores, sendo o suporte familiar e dos amigos um dos mais importantes, sublinha Maria Gouveia Pereira, autora de vários estudos sobre o suicídio na adolescência e professora do Instituto Superior de Psicologia Aplicada/Instituto Universitário.

Conspiração do silêncio

O problema é que apoiar pressupõe valorizar os sinais e ser capaz de falar sobre o assunto. "É mais fácil negar, desvalorizar ou silenciar. Calámos o que nos incomoda", considera a psicóloga. Uma acentuada descida no desempenho escolar é o sintoma mais valorizado pelos pais, mas há outros, igualmente preocupantes, como o isolamento social. "Um jovem que não sai à noite, não arranja problemas, não bebe e não fuma, não suscita preocupações aos pais, mas a falta de amigos, de convívio com pares, pode ser indiciador de que algo não está bem", enfatiza a psicóloga.

A conspiração do silêncio alimenta a ignorância. Duas investigações realizadas em Portugal demonstraram que adolescentes e os professores não sabem reconhecer os sintomas de perigo e, consequentemente, são inaptos para ajudar, sublinha Maria Gouveia Pereira.

Os números oficiais referem uma diminuição da taxa de suicídios em Portugal. Contudo, trata-se de um assunto incómodo. Até para as estatísticas. Em caso de dúvida, é preferível classificar a morte de um jovem como acidental ou devido a causas indeterminadas, mesmo que as circunstâncias - como a queda de um prédio alto ou na via férrea - sejam suspeitas. A realização sistemática de autópsias psicológicas ajudaria a clarificar muitas situações.

Automutilação para aliviar sofrimento

Os suicídios podem estar a diminuir, mas há indicadores de risco que estão a aumentar. É o que acontece com os para-suicídios: auto-agressões, como cortes e queimaduras, infligidas para aliviar sofrimento psicológico através da dor física, mais controlável e, por isso, mais tolerável. "Não há estudos rigorosos sobre os para-suicídios, mas calcula-se que por cada caso que chega às unidades de saúde, haja três que não são conhecidos", de acordo com Carlos Braz Saraiva, psiquiatra que há longos anos estuda a suicidologia e responsável pela criação da Consulta de Prevenção do Suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

O único estudo epidemiológico, realizado em Coimbra em 1996, deu conta de uma realidade inquietante (600 casos por cem mil habitantes e por ano), principalmente entre as raparigas dos 15 aos 24 anos. No fim da década passada, uma actualização desses números apontava para um aumento de 25%. O empirismo clínico colabora essa tendência. "Todos os dias, dão entrada na Urgência dos HUC dois ou três casos de para-suicídio, de todas as faixas etárias", refere Braz Saraiva.

Música e suicídio

Outra investigação, realizada no âmbito de uma tese de doutoramento sobre música, morte e suicídio, apurou que 35% dos jovens inquiridos assume ter tido comportamentos de auto-mutilação. Abílio Oliveira, psicólogo social e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, estudou 1300 jovens dos 15 aos 19 anos e concluiu que há uma associação entre o gosto por música dita pesada e comportamentos de risco e ideação suicida. Contudo, "não se pode falar de relação de causalidade", enfatiza o autor de Ilusão na idade das emoções, acrescentando que ninguém resolve matar-se por ouvir determinada música ou ler certo escritor.

"Os gostos musicais são um bom indicador dos sentimentos do adolescente, desde que enquadrados no modo como encara a vida e representa a morte, o suicídio e a si próprio" , sublinha Abílio Oliveira. E acrescenta: "Os adolescentes dizem que querem morrer, acabar com tudo, mas na realidade querem é desaparecer daquela vida. Ao tentar a morte, esperam sobreviver e renascer para um sentido para a vida. A morte não é o fim. É um fim".

|Fonte: JN

Sabedoria das multidões ajuda a pensar melhor

Há um antigo ditado popular que diz que duas cabeças pensam melhor do que uma. Esse ditado recebeu confirmação empírica na Psicologia Social dos anos 20, quando uma série de estudos mostrou que os grupos eram mais acurados do que os seus membros de forma individual. Em uma, das primeiras demonstrações do fenómeno, por exemplo, Hazel Knight, da Columbia University, pediu para que os seus alunos apresentassem uma estimativa da temperatura na sala de aula. Quando uma média das estimativas era calculada, a hipótese do grupo era mais próxima do correcto do que a estimativa de um membro isolado.

Os primeiros autores acharam o facto surpreendente, e atribuíram-no a alguma propriedade misteriosa do grupo. Finalmente, então, o resultado foi reconhecido como um produto da estatística: usar uma grande amostragem de estimativas imperfeitas tende a cancelar erros extremos, convergindo para o resultado correcto. Pesquisas subsequentes na área de planeamentos estratégicos demonstraram que os cálculos feitos por uma média são mais “poderosos” quando comparados aos mais sofisticados métodos de combinação estatística. A capacidade e a simplicidade do cálculo de média foram resumidas no best seller de James Surowiecki, “The Wisdom of Crowds” (A Sabedoria das Mulditões, em português), de 2004.

Em um fascinante artigo da Psychological Science, Stefan Herzog e Ralph Hertwig fizeram cair por terra o velho ditado. Segundo eles, uma cabeça pode ser tão boa quanto duas. Herzog and Hertwig pediram aos participantes de sua pesquisa para que estimassem valores quantitativos que não sabiam ao certo – sobretudo datas históricas. Os autores, então, solicitaram que os participantes pensassem numa segunda estimativa. Poderia essa “multidão na mente” ajudar na melhoria das hipóteses? A resposta é sim, e a literatura da sabedoria das multidões ajuda-nos a entender o porquê.

Multidões, obviamente, nem sempre são sábias. No entanto, é mais provável que elas ajam de forma sábia se dois princípios forem seguidos. O primeiro deles é que os grupos devam ser compostos por pessoas com conhecimentos relevantes sobre o assunto. O segundo princípio é que o grupo deva oferecer diversas perspectivas e diferentes conhecimentos relacionados com o tema. Dar valor à diversidade tem-se tornado um facto inquestionável, mas é interessante considerar exactamente como ela afecta a tomada de decisões. As pessoas cometem erros, e isso é inevitável. A questão, então, passa a ser se as pessoas cometem erros similares (nesse caso, a substituição dos indivíduos traria poucos benefícios ao grupo) ou se as pessoas cometem erros distintos (nesse caso, os seus erros seriam anulados).

As diferenças nas perspectivas são criadas tanto pelos membros do grupo (quando as pessoas têm diferentes experiências, formação e modelos de julgamento) quanto pelos processos (quando as ideias são formadas e expressas de forma independente das ideias dos demais membros). É interessante observar que os benefícios da diversidade são tão fortes que, apesar de participantes com habilidades extremamente diferentes serem escolhidos para um mesmo grupo, ainda assim são constatados ganhos.

Herzog e Hertwig usaram os princípios da perspectiva da “sabedoria das multidões” para possibilitar que uma cabeça se tornasse quase tão produtiva quanto duas. Após os participantes pensarem nas suas primeiras hipóteses sobre as datas de eventos históricos, os autores solicitaram, então, uma segunda estimativa, aplicando um dos seguintes métodos. No primeiro, os participantes apenas apresentaram uma segunda estimativa, o que contribuiu muito pouco para o conhecimento e a diversidade.

Já no segundo, foram fornecidas aos participantes instruções detalhadas sobre como deveriam apresentar a estimativa subsequente: “Primeiro: façam de conta que sua primeira estimativa está incorrecta. Segundo: pense sobre algumas razões pelas quais o erro pode ter ocorrido - quais suposições e considerações podem ter sido erradas? Terceiro: o que as novas considerações sugerem? Quarto: baseado nessa nova perspectiva faça uma segunda estimativa”. Quando os participantes usaram o método mais “evoluído”, a média foi significativamente mais acurada do que a apresentada na primeira. A “multidão envoluída” atingiu aproximadamente metade da exactidão a que se teria chegado se a data tivesse sido estimada por uma segunda pessoa.

Herzog e Hertwig nomearam o processo de maior envolvimento de “bootstrapping dialéctico”. Você pode superar-se utilizando apenas o seu bootstrap baseado no provérbio de que duas cabeças pensam melhor do que uma - supondo que você esteja errado, estipulando uma segunda estimativa apoiada na busca por evidências, e então calculando a média das duas estimativas. É interessante notar que, de acordo com os estudos de Herzog e Hertwig, o bootstrapping não levou a segundas estimativas mais corretas que as primeiras. O benefício do bootstrapping dialéctico somente foi percebido quando a primeira e a segunda estimativas eram analisadas juntas. Se comparado ao simples estabelecimento de um segundo julgamento, o bootstrapping dialéctico criou diversidade – ele leva a estimativas que, provavelmente, oferecem erros compensatórios.

Embora tenhamos a habilidade de gerar múltiplas perspectivas, normalmente apegamo-nos a apenas uma das formas de se abordar o problema – com as suas limitadas possibilidades de acerto e erro. Temos a tendência de parar na primeira etapa. O bootstrapping dialéctico possibilita a busca de outras perspectivas que já existem na nossa mente. Um princípio chave do estudo de Herzog e Hertwig é que cada um de nós carrega a nossa própria “multidão”, o nosso próprio grupo de conselheiros. No entanto, usufruímos da sua sabedoria apenas se conduzirmos uma “reunião” produtiva, que assegure a ocorrência da diversidade na mesa e que não se limite à verbalização de diferentes perspectivas, mas as incorpore, efectivamente, na decisão final. Herzog e Hertwig criaram um processo para a realização de uma boa reunião de conselheiros – na privacidade de sua própria mente.
|Fonte: Gazeta de Alagoas

Crianças ricas. São 5,7 centímetros mais altas


Investigadores avaliaram a evolução da estatura dos alunos do Colégio Militar e da Casa Pia no último século. Resultados mostram desigualdade

Sim, as classes sociais podem medir-se aos palmos. A opinião é dos antropólogos que decidiram avaliar as diferenças na estatura dos alunos do Colégio Militar e da Casa Pia, duas instituições de Lisboa. As diferenças encontradas permitem tirar lições socioeconómicas, garantem os autores do trabalho nascido na Universidade de Coimbra, e que agora é publicado na revista "Economics and Human Biology". Os resultados mostram que as diferenças físicas entre os rapazes das duas instituições - a primeira rotulada como escola de famílias mais favorecidas e a segunda de crianças pobres - têm vindo a atenuar-se, embora continuem a ser significativas. Ao longo do último século os alunos do Colégio Militar somaram em média mais 6,4 centímetros de altura e mais 4,8 quilos do que os colegas da Casa Pia.

O trabalho analisou mais de 4000 medidas recolhidas pelas duas instituições desde o início do século passado. A matéria-prima permitiu uma avaliação da evolução das estaturas por idades, entre os dez e 16 anos. Demonstrou-se que, na altura média, a diferença entre os dois grupos caiu de 7,0 centímetros, em 1910, para 5,7 centímetros em 2000 - uma melhoria significativa. No peso houve apenas uma ligeira atenuação, de 4,9 quilos de diferença para 4,6 quilos. No índice de massa corporal (IMC), os alunos do Colégio Militar têm valores médios apenas 1,9% superiores. Conclui-se ainda que, no último século, as alturas dos rapazes dos dois estabelecimentos aumentaram em média 13,6 centímetros e o peso 13,5 quilos - valores que espelham a melhoria das condições de vida no país, sobretudo a partir da década de 1960, explicam os autores.

Ainda assim, os valores da desigualdade surpreenderam: "Sabemos que as crianças socialmente desfavorecidas tendem a ser mais baixas e menos robustas - o que reflecte condições de vida empobrecidas - mas conseguimos perceber qual era a diferença entre estes dois grupos no início do século, e qual é a diferença hoje", diz Hugo Cardoso. O investigador em antropologia biológica, e um dos autores do trabalho, tem utilizado a avaliação antropométrica como um indicador para o desenvolvimento da sociedade. "Os historiadores de economia analisam a evolução socioeconómica com indicadores relacionados com a moeda ou com o PIB, que na prática acabam por ser muito pouco específicos sobre a forma como sociedade funciona. Os dados sobre a estatura dão-nos uma imagem bastante real do impacto das disparidades", defende.

A base tem sido o arquivo do Colégio Militar - por ter sido fundado em 1803 e ter dados sistematizados sobre a estatura dos alunos. Desta vez, uma colaboração com uma professora de Educação Física da Casa Pia de Lisboa permitiu uma análise comparativa entre a população de um colégio associado à elite e a de uma instituição fundada depois do terramoto de 1755 para apoiar jovens desfavorecidos, com princípios de protecção que se foram mantendo até hoje. O estudo confirmou uma "lacuna alarmante entre a saúde dos ricos e a dos pobres, que as recentes reformas sociais e económicas não conseguiram reduzir de forma significativa", escrevem os autores no final do artigo. Os indicadores são variados: descobriu-se, por exemplo, que entre 1910 e 2000, a altura média de uma criança com 13 anos no Colégio Militar aumentou 15,4%, de 1,46 metros para 1,61 metros. Na Casa Pia de Lisboa, nesta mesma idade, o aumento foi de 11,8%, de 1,39 metros para 1,55 metros. A taxa de crescimento virtual por década foi calculada em 1,4 cm/1,5 cm e 1,5 kg, embora as medidas dos alunos da Casa Pia sejam sempre menos robustas. "Houve uma diminuição da diferença entre estaturas, mas é tão pequena que se torna curioso perceber como é que durante 100 anos não houve oportunidade para as desigualdades sociais diminuírem", afirma o investigador.

Duplo fardo Para Miguel Rego, nutricionista e colaborador da Direcção-Geral da Saúde, perante estes dados, é importante não esquecer a questão do "duplo fardo" das populações socialmente mais desfavorecidas. "Temos a criança com menos peso, com uma nutrição pior, mas cada vez mais surge o problema da obesidade, com vários estudos que apontam para uma prevalência mais elevada nestes grupos", sublinha. "Ao ver esta clara diferença entre grupos, que ainda que tenha vindo a diminuir mantém-se, devemos pensar claramente onde actuar primeiro", sugere. O especialista acredita que a estratégia para combater esta disparidade, resultado da nutrição e dos cuidados de saúde, passará pela reorganização em curso dos cuidados primários. "Temos de abandonar a visão hospitalocêntrica, e fazer valer estes serviços não só como um sítio onde se procura saúde quando se está doente, mas como um parceiro activo na comunidade, nas escolas e no trabalho para promover hábitos alimentares e uma população com mais acesso à informação e capacidade de a interpretar."
|Fonte: Jornal "I"

Doente em coma consegue contactar com os médicos

Um homem que estava em estado vegetativo desde há cinco anos conseguiu comunicar e responder “sim” e “não” usando unicamente a sua mente, revela um estudo no qual participaram investigadores da Universidade de Lieja, na Bélgica, e Cambridge, no Reino Unido. O resultado foi publicado no New England Journal of Medicine.
A equipa de investigadores desenvolveu um novo método que permite a pacientes incapazes de se mexerem ou falar, comunicarem com o mundo exterior por meio de novas tecnologias de scanner cerebral.
Em 2003, o homem de 29 anos, cuja identidade não foi revelada, sobreviveu a um grave acidente de trânsito mas ficou sem se poder mexer ou falar, num estado considerado vegetativo. A sua actividade cerebral foi examinada graças à técnica de Imagem por Ressonância Magnética Funcional (IRMF), enquanto respondia a questões simples como: “O nome do seu pai é Thomas?”. Os investigadores conseguiram perceber que eram activadas as mesmas áreas do cérebro que no indivíduo saudável.
"Ficamos chocados quando vimos os resultados do paciente. Ele era capaz de responder correctamente às nossas perguntas, que eram logo descodificadas pelo sistema IRMF", explicou Adrian Owen, professor de neurologia da Universidade de Cambridge.
Entretanto, a experiência foi realizada em mais 23 pacientes em coma, dos quais quatro deram sinais de consciência. “Pessoas aparentemente em coma poderiam responder sobre a sua dor”, salientou a neurologista belga Audrey Vanhaudenhuyse, mas alerta para o facto de nem todos os pacientes em estado vegetativo terem actividade cerebral.
Recorde-se que há dois meses foi noticiada a história de Rom Houben, um belga vítima de um acidente de carro que os médicos acreditavam estar em estado de coma durante 23 anos, mas que mais tarde se veio a provar que durante todos esses anos tinha plena consciência do que acontecia ao seu redor.
Fonte: Jornal "I"

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Doente em estado vegetativo comunica

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O limite do ser humano é ter 150 amigos?


Um estudo da Universidade de Oxford divulgado recentemente e em destaque no The Times nesta segunda-feira levantou uma possível importância que o número de Dunbar tem na relação social entre humanos. Segundo a pesquisa, o cérebro humano é capaz de administrar em redes sociais, no máximo, 150 amigos.

Robin Dunbar, antropólogo da instituição e autor da pesquisa, conseguiu pela primeira vez comprovar no mundo on-line a teoria que defendia na década de 90. Na época, o cientista concluiu a partir de observações de vários grupos que a capacidade de manter círculos sociais não passava do número 150, independente do grau de sociabilidade de cada pessoa.

Na web, a teoria já foi questionada. Em Fevereiro, o sociólogo Cameron Marlow descobriu que um internauta comum consegue estabelecer uma relação estável com o próximo com no máximo 120 contactos em perfis no Facebook. Russerd Bernard, da Universidade da Flórida, concluiu que, nos Estados Unidos, os laços de amizade de uma pessoa podem chegar a 290.

Essas limitações existem devido a capacidade do neocórtex cerebral, que não se desenvolveu durante a evolução do homem. Em pouco tempo, o registo foi tão valorizado na Internet que já existiram redes sociais que o adoptavam para definir critérios de ingresso nas plataformas participativas.

A rede social aSmallWorld, considerada como “Orkut dos ricos”, usou este discurso para defender seus princípios de uso e, claro, alcançar valorização e alarde em torno de seu serviço.

A construção do mito de que as novas tecnologias poderiam superar tal limitação não é o único facto que mais chama a atenção. O estudo corrobora a premissa de que o internauta, hoje, reforça mais laços construídos de forma offline (cotidiano) do que propriamente criar novas amizades virtuais.

|Fonte: Revista Veja

Doente em estado vegetativo comunica

Há uma tecnologia que permite ver o cérebro a pensar, ou, mais precisamente, os fluxos de sangue para determinadas zonas cerebrais consoante estas são activadas para dar resposta a determinadas tarefas, que podem ser tão simples como responder "sim" ou "não" a uma pergunta.

O que aconteceria se fosse usada para espreitar para o cérebro de pessoas que estão há anos num estado vegetativo, já não em coma? Em alguns casos, descobriram médicos na Universidade de Liège, na Bélgica, foi possível ver o seu cérebro acender-se, comunicando com o exterior as respostas de "sim" e "não" a perguntas simples que lhes eram feitas.

Um homem que em 2003, aos 29 anos, teve um grave acidente rodoviário ficou em coma. Quando acordou, ficou apenas num estado vegetativo - não tem capacidade de linguagem nem de interacção com os outros, apenas algumas reacções reflexas. Há cinco anos que estava assim, até que os médicos do Coma Science Group da Universidade de Liège e da Unidade de Cognição e Ciências do Cérebro da Universidade de Cambridge (Reino Unido) o submeteram a um exame de ressonância magnética funcional - a tal tecnologia que permite ver o cérebro a pensar.

Este paciente foi um dos quatro entre os 23 em estado vegetativo testados que revelaram sinais de consciência, relatam agora os cientistas na revista New England Journal of Medicine. "Ele conseguia responder correctamente às perguntas, simplesmente modulando os seus pensamentos, que eram descodificados pela ressonância magnética funcional", diz Adrian Owen, de Cambridge, citado num comunicado da universidade belga.

Esta descoberta pode ter importantes implicações clínicas: "Pacientes que não podem mexer-se, nem falar para dizer o que sentem, poderão ser interrogados sobre se sentem dor, para permitir adaptar o tratamento com analgésicos", exemplifica Audrey Vanhaudenhuyse, neuropsicóloga da equipa de Liège.

Mas isto não quer dizer que todos os pacientes em estado vegetativo estejam conscientes - nesta amostra de 23, apenas quatro deram sinais de consciência. "Ainda é apenas um começo, mas esta técnica tem o potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes", comentou Steve Laureys, também da equipa de Liège.
|Fonte: Público
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Doente em coma consegue contactar com os médicos

Investigadores britânicos estabelecem relação entre depressão e vício da Internet

Psicólogos britânicos conseguiram traçar uma relação entre o uso excessivo de Internet e a depressão. De acordo com investigadores da Universidade de Leeds, as pessoas que estão sempre ligadas à Net são as que apresentam mais sintomas de depressão.

Num artigo publicado no Jornal de Psicopatologia, os investigadores concluíram que um grupo reduzido de pessoas que participaram no estudo e foram classificadas como “viciadas em Internet” estavam mais sujeitas a depressões do que as pessoas não-viciadas.

Para chegar aos resultados, os investigadores conduziram um inquérito junto de 1319 jovens e adultos, que responderam a perguntas acerca do tempo que passavam online e o que é que faziam quando estavam ligados. Paralelamente, fizeram aos inquiridos uma série de perguntas-padrão para aferirem a gravidade dos seus problemas de depressão, através do uso do Beck Depression Inventory.

O relatório, levado a cabo pelo Instituto de Ciências Psicológicas da universidade, concluiu que 18 por cento das pessoas que completaram o questionário - 1,4 por cento do total - eram viciadas em Internet.

“O nosso estudo indica que o uso excessivo de Internet está associado à depressão, mas aquilo que nós não sabemos é o que vem primeiro - as pessoas deprimidas procuram mais a Internet ou é a Internet que está a deprimir as pessoas?”, referiu ao “The Guardian” a responsável pelo estudo, Catriona Morrison.

“Aquilo que fica claro é que, para um reduzido número de pessoas, o uso excessivo da Internet pode ser um sinal de alarme para tendências depressivas”, acrescentou.

A idade dos inquiridos variou entre os 16 e os 51 anos, situando-se a idade média dos entrevistados nos 21.24 anos. A média de idades do grupo identificado como “viciados em Internet” é de 18.3 anos.

Comparando os sinais de depressão registados dentro deste grupo com um grupo semelhante, composto por pessoas com uma idade média igualmente situada nos 18.3 anos, os investigadores concluíram que o grupo de “viciados em Internet” tem uma maior percentagem de pessoas com depressões moderadas e graves.

Os mesmos investigadores concluíram também que os “viciados” gastam, proporcionalmente, mais tempo a navegar por sites com conteúdos sobre sexo e jogo e por redes sociais.

“O estudo reforça a especulação pública que postula que ficar muito agarrado a sites que substituem as funções sociais normais pode significar transtornos psicológicos como a depressão e o vício”, disse Morrison.

“Precisamos agora de clarificar os efeitos do uso excessivo de Internet na saúde mental”, concluiu a investigadora.

Este artigo de seis páginas agora publicado é o primeiro grande estudo ocidental a considerar a relação entre o vício da Internet e a depressão. Muitos dos ensaios anteriores foram levados a cabo na Ásia, refere o “The Guardian”.

|Fonte: Público

O Menino Selvagem

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