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domingo, 20 de março de 2011

Estudo realizado pela Associação Portuguesa do Sono Conduzir ao fim de 18 horas acordado é igual a ter uma taxa de alcoolemia de 0,5


Os olhos começam a fechar-se. A paisagem fica desfocada. A tendência é abrir a janela do carro e aumentar o som do rádio. Quem sabe parar e beber um café. Mas estes são apenas gestos que mascaram o sono – um problema que já levou 12 por cento dos condutores a adormecerem ao volante e que só no último ano resultou no facto de dez por cento dos condutores portugueses terem tido ou quase terem tido um acidente, segundo um estudo apresentado a propósito do Dia Mundial do Sono, que hoje se assinala.

O estudo “Sonolência dos Automobilistas Portugueses”, realizado pela Associação Portuguesa do Sono (APS), indica também que durante o último ano 23 por cento dos condutores portugueses admitiram que experienciaram, pelo menos uma vez, uma situação de sonolência ao volante e que três por cento chegaram mesmo a adormecer. O cenário afecta mais os homens entre os 25 e os 34 anos, de classes sociais mais elevadas, residentes em Lisboa e com risco elevado de terem ou virem a ter apneia do sono, uma patologia que pode agravar a sonolência mas que não é a única explicação. Em média, 30 por cento dos condutores portugueses dormem menos de seis horas por noite.

Cansaço, stress, um sono de má qualidade e trabalho por turnos são factores que podem agravar a possibilidade de ter um acidente de automóvel, sendo que é o sono é considerado a principal causa de acidentes de viação mortais e está relacionado com cerca de 20 por cento dos acidentes de informação, segundo dados avançados pela presidente da APS, a psiquiatra Marta Gonçalves, durante a apresentação que decorreu ontem em Lisboa. Ainda assim, este factor é frequentemente desvalorizado face, por exemplo, ao excesso de velocidade e ao consumo de álcool. De tal forma que, em geral, os condutores afirmam que têm uma boa qualidade de sono mas uma avaliação clínica mostra que 35 por cento tem uma má qualidade.

Os picos de sono

Os resultados mostram ainda que 50 por cento dos acidentes por sonolência aconteceram entre a meia-noite e as 6h00 e 33 por cento entre o meio-dia e as 18h00, precisamente durante a noite e após o almoço, os dois períodos onde é mais comum termos vontade de fechar os olhos. Quanto a locais, metade dos acidentes são em estradas secundárias, 33 por cento em cidade e 17 por cento em auto-estrada, apesar de estes últimos resultarem em mais mortes e feridos graves.

Também a neurologista Ana Rita Peralta, da direcção da APS, adiantou que “conduzir depois de 18 horas acordado produz os mesmos efeitos que uma taxa de alcoolemia de 0,5 g/litro de sangue” e que este valor duplica quando estamos acordados quase há 24 horas. “O mesmo é dizer que se trocássemos o álcool pelo sono estaríamos perante um crime. E se juntarmos álcool e sono, a mistura é explosiva”, alertou a especialista.

Contudo, há casos em que dormir oito horas e ter uma vida regulada não basta. Insónia, apneia do sono ou narcolepsia são algumas patologias subdiagnosticadas e responsáveis por vários acidentes na estrada. Carlos Alberto Lopes, 37 anos, está nestas estatísticas. Este professor de educação física sofre de narcolepsia, uma doença maioritariamente de origem genética que desregula o sono e que causa uma hipersonolência diurna, podendo provocar paralisias do sono e quedas perante emoções mais fortes.

Mas o caminho para o diagnóstico não foi fácil. Carlos Lopes adormeceu várias vezes ao volante e teve vários acidentes. Mas como estava a hora e meia do seu local de trabalho e tinha uma filha pequena desvalorizou e atribui os factos ao cansaço. Há cinco anos achou que a situação era demasiado recorrente e através de pesquisas na Internet identificou-se com alguns testemunhos e procurou um neurologista. “Agora estou perfeitamente regulado. Tento ter uma vida descansada e tomo umas pastilhas que ajudam a produzir uma substância relacionada com o sono profundo e que eu tenho carências”, explicou ao PÚBLICO.

Já o caso de Catarina Ventura, 31 anos e técnica de análises clínicas, não necessita de medicação, sendo aquilo a que se chama uma “long sleeper”, ou seja, precisa mesmo de dormir dez horas ou passa o dia literalmente com a cabeça a cair. “Tenho de regular muito bem a minha vida social e profissional. Uma vez adormeci e fui parar com o carro a uma valeta. Foi o alerta final e agora tenho mais cuidados e paro o carro aos primeiros sinais e durmo onde estiver”, contou.

Multar os sonolentos?

Mas quando não há uma patologia envolvida, será que o caminho é multar os condutores sonolentos? O secretário de Estado da Protecção Civil, presente na sessão que decorreu no Governo Civil de Lisboa, descartou para já qualquer medida neste sentido, mas assegurou que vão sensibilizar as pessoas para o problema e que trabalharão com as autoridades para saberem melhor identificar estes casos.Assim, na sequência deste estudo e para assinalar o Dia Mundial do Sono, a APS lançou também, com o apoio do Ministério da Administração Interna, do Governo Civil de Lisboa, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária uma campanha de sensibilização que pretende alertar para o facto de que “conduzir com sono pode matar” e que se dirige sobretudo aos jovens adultos. A campanha vai passar na televisão, na rádio e nas portagens serão distribuídos alguns folhetos informativos. No spot televisivo vê-se um trabalhador a adormecer no seu escritório e a deixar cair uma caneca de café. A acção provoca o caos no escritório e a campanha alerta para as consequências ainda mais gravosas se o incidente fosse na estrada.

Vídeo da campanha para televisão:
Já na rádio os spots simulam notícias e relatos de futebol onde a voz do locutor fica cada vez mais lenta e semelhante a uma canção de embalar, para alertar que a rádio não é solução para o problema.

O estudo da APS teve por base uma amostra de 900 pessoas com mais de 18 anos que conduzem pelo menos uma vez por semana. Realizou-se entre os dias 25 e 28 de Fevereiro de 2011 através de entrevista telefónica para telefones fixos e móveis em Portugal Continental e a amostra foi estratificada por regiões. A entrevista teve por base um questionário elaborado pela GfK Metris.

| Romana Borja-Santos, Público - 18.03.2011

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Breves pausas podem ajudar na manutenção da memória


Os cientistas sempre souberam que dormir ajuda na consolidação da memória, permitindo que a mente possa filtrar e registar no cérebro o conhecimento adquirido. Entretanto, uma nova pesquisa sugeriu que breve descansos ou pausas podem auxiliar na retenção de informação.

O estudo foi realizado por cientistas da Universidade de Nova York e foi publicado na revista especializada Neuron.

Os resultados da pesquisa podem explicar o motivo pelo qual lembramos de factos ou conhecimentos específicos com detalhes, enquanto esquecemos de algumas outras informações quase que imediatamente.

"Fazer um intervalo entre uma aula e outra, por exemplo, pode realmente ajudar as pessoas a guardarem as informações que acabarem de receber", disse a médica Lila Davachi, professora-assistente do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade de Nova York.

Para determinar se a consolidação da memória ocorreu durante períodos em que os pacientes estavam acordados, os pesquisadores analisaram imagens de áreas do cérebro conhecidas por desempenhar um papel significativo na memória, o hipocampo e as regiões corticais.

Intitulado "Seu cérebro precisa que você sintonize outras tarefas para que ele possa entrar em sintonia com o que você acabou de aprender", a experiência foi baseada num teste onde imagens de rostos e objectos eram exibidas às pessoas. A cada novo "pacote de informações", os pacientes eram submetidos a períodos de descanso regulares.

Os cientistas usaram ressonância magnética para medir as actividades cerebrais durante os testes e ao longo do período de descanso.

Segundo os especialistas, as áreas do cérebro continuaram activas durante as pausas, assim como ocorreu durante a aprendizagem de uma nova tarefa. Os cientistas ainda relacionaram a pausa ao facto de se aprender melhor uma actividade e se lembrar dela em futuros testes.

"O seu cérebro está a trabalhar por você enquanto está descansando, então a pausa é importante para a memória e para as funções cognitivas", explicou a doutora Davachi.

Os pesquisadores descobriram que a mente regista memórias ao longo do dia e à noite faz uma espécie de "edição" do que realmente será armazenado pelo o cérebro.

Fonte: Revista Veja

O Menino Selvagem

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