quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Salt

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A história da consciência como nunca a tínhamos ouvido contar


Há dez anos, em O Sentimento de Si, o neurologista português António Damásio explicava pela primeira vez a sua visão de como o cérebro humano constrói a consciência. Agora, em O Livro da Consciência, volta ao mesmo tema, mas com uma "receita" muito mais apurada e onde mistura ingredientes que até aqui tinham ficado esquecidos nas gavetas das neurociências. Com a vibrante prosa que o caracteriza e o profundo enraizamento das suas ideias na arquitectura e nas aflições cerebrais, conta-nos a emergência da consciência no cérebro humano como nunca a tínhamos ouvido contar.

"Fa franziu o sobrolho e olhou para a sua barriga, levou a mão direita à cabeça e disse: 'tenho uma imagem'. Abandonou a escarpa e apontou para o bosque e o mar: 'estou ao pé do mar e tenho uma imagem. É uma imagem de uma imagem. Estou - disse, levantando a cara e franzindo o sobrolho - a pensar."

William Golding (mais conhecido como o autor d'O Senhor das Moscas) escreveu estas linhas em Os Herdeiros (The Inheritors, 1955), um romance onde imagina o encontro, há dezenas de milhares de anos, de duas espécies de seres humanos. Uma mais evoluída (nós?), os "cara de osso", imberbes, erguidos, magros, com rituais e ferramentas mais complexos; a outra mais primitiva (os Neandertais?), peluda, robusta e ágil a trepar às árvores.

Uma das características mais salientes da estranha e maravilhosa narrativa de Golding é o número de vezes que recorre à palavra "imagem". Os Neandertais estão constantemente a "ter" imagens e a declarar que têm imagens (que portanto lhes pertencem) e a reflectir sobre essas imagens. Enquanto isso, as imagens, combinadas com o que vai acontecendo no mundo exterior e com a memória do passado, vão gerando emoções e sentimentos que geram outras imagens e orientam os seus actos, tanto exteriores como interiores. Estas personagens primitivas são seres perfeitamente conscientes do mundo e de si próprios, dotados de uma história pessoal e individual.

Os hipotéticos neandertais têm contudo alguma dificuldade em manipular ideias complexas - talvez um sinal de que as suas capacidades de memória ainda não desabrocharam totalmente. A tribo mais evoluída, essa, tem muito mais jeito para todos esses exercícios mentais (algo que o autor talvez quisesse sugerir quando abandona o uso da palavra "imagem", mesmo no fim, mal o relato passa a ser do ponto de vista dos "cara de osso").

Os humanos modernos tornaram-se mestres na produção de imagens mentais, na sua análise consciente e na análise, também consciente, dos sentimentos que elas provocam em nós. O nosso cérebro produ-las em contínuo e nem sequer quando dormimos conseguimos interromper o seu fluxo. Somos todos cineastas mentais natos.

As imagens são "a principal moeda da nossa mente", explica António Damásio no seu novo livro, intitulado O Livro da Consciência. E a palavra não se esgota apenas nas imagens visuais, mas aplica-se aos padrões, aos "mapas" neuronais auditivos, viscerais, tácteis e por aí fora, que o cérebro constrói em permanência. Nem os sentimentos fogem à regra: são igualmente imagens. Mais ainda, o nosso cérebro que é "viciado" na criação de mapas, também mapeia o seu próprio funcionamento, gerando imagens totalmente abstractas. "Estou convencido", escreve Damásio, "que os matemáticos e os compositores sobressaem neste tipo de criação de imagens."

Esse filme super-multimédia que vemos na nossa cabeça começa na nossa infância - e de facto, através das relações sociais, da cultura e da aprendizagem, remonta até muito mais longe no passado, quando ainda não tínhamos nascido. Mais ainda, conseguimos antecipar o futuro e agir sobre ele em nosso benefício, individual e colectivo. E mais mais ainda, sentimos que o filme é nosso e só nosso (e de facto, somos o público exclusivo do espectáculo da nossa mente).

Mas como é que lá chegámos? O que aconteceu no nosso cérebro que tornou a consciência possível?

Cérebro, mente, consciência

Como já aconteceu nos seus livros anteriores, as respostas que Damásio se propõe dar a estas perguntas só podem ser válidas se forem firmemente ancoradas na biologia. Afinal de contas, os neurónios que suportam a mente e a consciência são células vivas como as outras; afinal de contas o cérebro, com as suas várias subdivisões e as ligações nervosas entre elas que suportam a mente e a consciência, é a mente e a consciência. Afinal de contas, tudo o que se passa na nossa mente passa-se na nossa cabeça e no nosso corpo (where else?). "De entre as ideias apresentadas neste livro, nenhuma é mais importante do que a noção de que o corpo é o alicerce da mente consciente" escreve Damásio.O Livro da Consciência é a mais recente incursão neste território do célebre neurologista português (radicado nos EUA desde 1975 e figura de primeiro plano não só da comunidade internacional das neurociências, mas também, desde o seu O Erro de Descartes, de 1995, junto do grande público). O título original em inglês do novo livro, Self Comes to Mind, talvez seja mais sugestivo do que o da versão portuguesa, editada pela Temas e Debates/ Círculo de Leitores, que vamos poder ler a partir de hoje (o original só será publicado nos EUA e na Europa em Novembro).

Mas o que importa sublinhar é que o livro define um programa para a futura investigação nesta área. Damásio é o primeiro a admitir que ainda está longe de ter resolvido o mistério do que é a consciência humana (se é que alguma vez o poderá fazer), que está meramente a arranhar a superfície, que nem sequer tem uma teoria, mas apenas um "enquadramento" teórico da questão.

Mas acha que, apesar de haver quem considere a tarefa impossível, ainda é muito cedo para os cientistas desistirem de explicar o que é a consciência em termos rigorosos e testáveis através da experimentação. Tanto mais quanto, nos últimos dez anos, os avanços das técnicas de imagens médicas têm permitido visualizar de forma cada vez mais sofisticada, ao vivo e em directo, o cérebro de pessoas (com e sem lesões neurológicas) a realizar diversas tarefas - para ver qual a região do cérebro que entra em acção a cada instante. Essas manchas de cor nas imagens poderão ser apenas um eco longínquo do filme na nossa cabeça, mas têm muito para nos contar.

A quarta dimensão

Toda essa massa de trabalho científico teve como consequência, para o pensador atento, metódico, profundo que é Damásio, uma mudança radical das premissas do empreendimento. O estudo do aparecimento da consciência humana, explica no livro, já não pode ser encarado da mesma maneira que há dez anos. Tornou-se preciso contar a história da consciência humana de outra maneira - e, por vezes, virada do avesso.

Em primeiro lugar, acrescenta-lhe uma "quarta dimensão": a perspectiva da evolução das espécies. Para conseguir perceber como surge e como funciona a mente humana - e em particular a mente consciente - é preciso abandonar a ideia de que ela é única em todos os seus aspectos. É única nalguns, que não deixam de ser espectaculares (a cultura e as artes estão lá para o provar). Mas a mente nasceu nos organismos vivos muito antes de a espécie humana aparecer na Terra. A consciência não é o apanágio do cérebro humano.

"A evolução brindou-nos com diferentes tipos de cérebro", lemos, "no que diz respeito à mente e à consciência. Temos o tipo de cérebro que produz comportamento mas que parece não ter mente nem consciência, como, por exemplo, o sistema nervoso do Aplysia californica, [um] caracol marinho (...). Existe o tipo de cérebro que produz toda uma vasta gama de fenómenos - comportamento, mente e consciência -, de que o cérebro humano é, claro está, o principal exemplo. Há ainda um terceiro tipo de cérebro que produz claramente comportamento, é provável que dê origem a uma mente, mas em que o grau de consciência é problemático. É o caso dos insectos."

Há mesmo, segundo Damásio, uma série de animais que poderão, ao que tudo indica, possuir uma consciência rudimentar: "os lobos, os nossos primos os símios, os mamíferos marinhos, os elefantes, os felídeos e, claro está, aquela espécie especial chamada cão doméstico".O que lhe permitiu chegar a uma tal conclusão? "A organização dos seus cérebros e a sofisticação dos seus comportamentos sociais", responde-nos, numa troca de e-mail com o Ípsilon. E significa isso que esses animais são conscientes, tal como nós? Que sabem que existem? "Claro que a sua consciência não é tão abrangente como a nossa, mas penso que eles sentem as suas mentes e os seus comportamentos."

Mas então, como imagina o autor a mente de um cão "desde o interior"?, perguntámos ainda. Como "um fluxo muito rico de imagens situadas no presente, com uma leve penumbra de passado e nem a mais mínima ideia de futuro". Mesmo assim, todos sabemos isso, uma mente capaz de amar, de sentir tristeza, medo ou ciúmes... mas não de reflectir sobre a sua condição, não de saber que sabe o que sente.

Seja como for, uma consequência não trivial desta perspectiva evolutiva é que, desde os primórdios da vida na Terra, os cérebros, seja qual for sua sofisticação, sempre estiveram e permanecem dedicados em primeiro lugar à manutenção da integridade dos organismos que os contêm, humanos e não humanos. "A forma mais directa de explicar o motivo pelo qual a consciência prevaleceu na evolução é dizer que contribuiu de modo significativo para a sobrevivência das espécies com ela equipadas. A consciência chegou, viu e venceu", escreve Damásio no seu livro.

Os andares da consciência

Para o demonstrar, o cientista vai, por um lado, desmontar os diferentes sistemas e processos, de complexidade crescente, que culminam na consciência; e, por outro, especular de forma cientificamente informada sobre os locais no cérebro candidatos a ser o "lugar" onde cada um tem a sua sede principal (sem esquecer que o cérebro faz tudo de forma relativamente deslocalizada, o que também não significa que a totalidade do cérebro participe em todas as funções cerebrais; algumas estruturas são mais adequadas do que outras para o desempenho de uma dada função). A cada passo da construção (ou desconstrução), Damásio fornece uma profusão de provas baseadas na observação de doentes com problemas cerebrais muitas vezes trágicos - adultos com Alzheimer, epilepsia, coma, estado vegetativo, síndrome locked-in, crianças que nasceram sem córtex cerebral, a camada exterior do cérebro responsável por todas as funções cognitivas de alto nível a começar pela linguagem, lesões cerebrais maciças ou localizadas - e na de pessoas que não são doentes neurológicos. O seu conhecimento da anatomia do cérebro e a sua capacidade de interpretar sinteticamente os resultados da investigação (a própria e a dos outros), sempre em relação com essa anatomia, constitui um acto de autêntico virtuosismo. O que não significa que o seu livro seja de fácil leitura; antes pelo contrário. Seguir os meandros das explicações encadeadas de Damásio exige a concentração de um jogador de xadrez.

A construção da consciência começa pela formação de um "proto-eu", seguido de um "eu nuclear" e coroado por um "eu autobiográfico". Estes três módulos foram sendo acrescentados um por cima do outro ao longo da evolução e nós humanos possuímos os três, simplesmente porque não podemos prescindir de nenhum deles.

O proto-eu é uma semente, um germe primitivo do eu. A partir das imagens mentais que vêm do corpo, escreve Damásio, o proto-eu produz "sentimentos primordiais" (por exemplo, diversos níveis de dor e de prazer, o "sentir" de base), que são espontâneos e contínuos quando estamos acordados e que "garantem a experiência directa do nosso corpo vivo, sem palavras, sem adornos e sem qualquer outra ligação que não seja a própria existência". Ou seja, um primeiro sinal de que as nossas imagens mentais são nossas, ponto de partida indispensável da consciência.Cérebro arcaico

A principal consequência disto, segundo Damásio, é que a existência da consciência humana é assegurada em parte por sistemas muito "arcaicos" do cérebro, tais como certas estruturas da parte superior do tronco cerebral (o tronco cerebral liga a espinal medula ao cérebro). Isto não fazia até agora parte dos "ingredientes" habituais da consciência. "São muito poucos os cientistas com trabalhos publicados a defender esta ideia", diz-nos Damásio. No livro, escreve: "O cérebro não começa a edificar a mente consciente ao nível do córtex cerebral, mas sim ao nível do tronco cerebral. Os sentimentos primordiais não só são as primeiras imagens geradas pelo cérebro, como também manifestações instantâneas de consciência. São o alicerce que o proto-eu prepara para a construção de níveis mais complexos do eu." E acrescenta: "estas ideias estão em conflito directo com os pontos de vista tradicionais sobre a consciência".

Não é possível esgotar em poucas palavras a complexidade do pensamento de Damásio, mas podemos tentar alinhar os personagens e o enredo da peça da consciência. Além do proto-eu, existem mais dois participantes que completam o elenco da consciência: o eu nuclear (que se desenvolve "numa sequência de imagens que descrevem um objecto a interagir com o proto-eu e a modificá-lo") e o eu autobiográfico (que surge quando todas essas sequências de imagens de múltiplas origens, "cuja totalidade define uma biografia", geram por sua vez "impulsos de eu nuclear" e ligam o eu "ao passado bem como ao futuro antecipado"). O proto-eu, com os seus sentimentos primordiais, e o eu nuclear constituem um "eu material". O eu autobiográfico, que abrange todos os aspectos da pessoa social, constitui um "eu social" e um "eu espiritual".

Mas para realizar o estado de consciência plena - aquele a que só os humanos temos acesso - ainda falta no palco da mente "um dono, um protagonista da existência, um eu que analisa o mundo interior e exterior, um agente que parece a postos para a acção. Falta o narrador que não apenas sabe, mas que sabe que sabe, o "conhecedor" que permite atingir o mais alto patamar da consciência tal como a conhecemos hoje. São o eu nuclear e o eu autobiográfico que vão "dotar-nos a mente [desta] outra variedade de subjectividade", escreve Damásio. "A consciência humana normal corresponde a um processo mental onde operam todos estes níveis do eu".

Dez anos depois

Onde é que as etapas finais da construção da consciência se operam no cérebro? Onde é que se concretiza a subtil e complexa coordenação dos processos que permitem a sua emergência? Devido à sua posição no cérebro e as ligações nervosas que estabelecem com outras regiões, o tálamo, situado entre o tronco e o córtex cerebrais, e uma área do córtex chamada PMC (córtex postero-medial) recolhem o voto favorável de Damásio. Mas isso não significa que exista uma separação de funções: o cérebro não funciona assim. Cada uma dessas três principais "grandes divisões anatómicas" contribui para algum aspecto da "tríade directora" da consciência, formada pelo estado de vigília, a mente e o eu.

Perguntámos a Damásio o que, ao longo desta década, tinha tornado necessária esta sua nova viagem à consciência humana. "Muitas, muitas coisas", diz-nos por e-mail. E especifica que "embora tenha sempre reconhecido o valor das estruturas subcorticais, a perspectiva d'O sentimento de Si era predominantemente centrada no córtex. A d'O Livro da Consciência não é; o subcórtex e o córtex partilham os papéis - e o papel principal vai mesmo para o tronco cerebral." "Embora [no primeiro livro] também tivesse chamado a atenção para o córtex postero-medial, considerei-o como principalmente relacionado com o eu nuclear. Dez anos volvidos, com base em todos os resultados de neuroanatomia e neurofisiologia (...), vejo o seu papel como principalmente ligado ao eu autobiográfico. (...) Fiz ainda alterações teóricas a partir da reavaliação do comportamento das criaturas 'pequenas', das bactérias e por aí fora - e mais geralmente, daquilo que no seu conjunto descrevo como a quarta perspectiva.

E qual a maior novidade no novo livro? "É o que digo sobre o tronco cerebral e sobre a fusão, literalmente, do corpo e do cérebro, que são duas caras da mesma moeda. Este é sem dúvida um dos pontos centrais do livro - e talvez o mais original e o mais sujeito a controvérsia."

Ana Gerschenfeld, Público 27.09.2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Inteligência Artificial



(Este filme está disponível no youtube em 14 partes)
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma breve história dos Tipos Psicológicos...


Artigo recolhido no site: http://www.inspiira.org/teoria.php

Em 1927, Carl Jung lança um dos seus livros, “Tipos Psicológicos”, onde ele classifica os seus pacientes, e os seres humanos em geral, de acordo com 3 critérios, que poderiam assumir duas posições opostas, criando oito tipos de personalidade diferentes. Ele não aprofunda muito os seus estudos, pois os seus métodos, apesar de terem conclusões fantásticas, eram talvez um pouco esotéricos demais.


Na década de 50, duas investigadoras, Katherine Briggs Myers e a sua filha Isabel Briggs Myers, que eram directoras duma fábrica nos EUA. Durante a Segunda Guerra Mundial, tiveram que contratar várias mulheres para ocuparem o lugar dos homens que foram para a guerra. Elas começaram a observar grandes diferenças de comportamento entre as suas operárias, e como conheciam o trabalho de Jung, pensaram em desenvolver um indicador que pudesse captar os tipos psicológicos das pessoas, para que se pudesse encaixá-las dentro dos diferentes tipos psicológicos, para entender as suas expectativas, comportamento, entre outras características descritas por Jung.


Estudando um pouco mais da teoria, e aplicando-a na prática, elas identificaram que havia mais um factor em jogo, que alterava toda a estrutura dos outros três. Chegaram assim a 16 tipos, organizados pelos critérios: Extroversão/Introversão, Sensação/Intuição, Pensamento/Sentimento e Julgamento/Percepção. Elas então criaram o indicador e chamaram-no de Myers Briggs Type Indicator, que é como ele é conhecido hoje em dia.


Segue uma explicação breve das dimensões e características dos tipos:


A primeira dimensão do tipo de personalidade diz respeito a como interagimos com o mundo e, principalmente, onde obtemos e onde dirigimos a nossa energia.


Extrovertidos (E)



  • Ganham energia quando interagem com outras pessoas

  • Gostam de concentrar a sua energia no mundo externo das coisas e das pessoas

Introvertidos (I)



  • Ganham energia quando despendem o tempo sozinhos

  • Gostam de concentrar a sua energia no mundo interno das ideias e dos pensamentos

A segunda dimensão do tipo descreve as duas maneiras diferentes como as pessoas percebem, ou assimilam as informações. Que espécie de informação notamos naturalmente? Algumas pessoas concentram-se no que é, enquanto outras no que é possível.

Sensoriais (S)



  • Normalmente prestam mais atenção a factos e detalhes

  • São pessoas mais realistas e práticas

Intuitivos (N)



  • Tentam entender as conexões, significados e implicações

  • São pessoas mais imaginativas e criativas

A terceira dimensão do tipo relaciona-se com a maneira como tomamos decisões e chegamos às conclusões. Todos nós apresentamos uma preferência natural inata para tomar decisões baseadas na lógica ou nos nossos sentimentos e valores pessoais.


Pensadores (T)



  • Tomam as decisões mais objectivamente, pesando os prós e contras

  • Valorizam a lógica e a justiça; um mesmo padrão para todos

Sentimentais (F)



  • Tomam as decisões baseados em como se sentem acerca de cada assunto e como os outros serão afectados

  • Valorizam a empatia e a harmonia; vêem a excepção para a regra

A quarta dimensão do tipo de personalidade relaciona-se com o facto de se preferimos viver de uma maneira mais organizada (tomando decisões) ou de uma maneira mais espontânea (assimilando informações).

Julgadores (J)



  • São mais felizes depois das decisões terem sido tomadas

  • Tendem a tomar as decisões rápida e facilmente

Perceptivos (P)



  • São mais felizes deixando as suas opções abertas

  • Tendem a sentirem-se ansiosos e inseguros ao tomarem decisões

Existem mais características observáveis em cada um dos critérios, mas acho que estas podem dar uma boa ideia do que cada critério mede. Então, conjugando essas quatro dualidades, obtêm-se 16 diferentes tipos psicológicos, que podem ser agrupados como subgrupos usando diferentes critérios, com diferentes aplicações.


Na década de 70, David Keirsey, psicólogo americano, lançou um livro com um nome não muito pretensioso, pelo menos para os académicos: “Please Understand Me”. Neste livro, ele criou um desses subgrupos que citei acima, que ele veio chamar de Temperamentos.


O modelo utilizado para os 4 temperamentos (contendo 4 tipos cada um), já havia sido usado no campo da Filosofia, desde Galeno, e os gregos antigos, alguns até bastante conhecidos, como Platão e Aristóteles.


Este modelo do Keirsey uniu a teoria proposta por Jung, o critério extra desenvolvido pela família Myers Briggs e também a ideia delas do indicador, mais a teoria dos Temperamentos que foi designado por diferentes nomes na história da Psicologia, e definiu os quatro Temperamentos, que são definidos pela presença de duas letras específicas no tipo das pessoas:



  • SP: Sensorial Perceptivo (chamados Artesãos) – Tipos: ISFP, ESFP, ISTP, ESTP

SPs desejam estar onde está a acção; eles procuram aventura e anseiam por prazer e estimulação. Marvin Zuckerman, um psicólogo americano, definiu esse tipo como "a personalidade que busca sensação". Os SPs acreditam que a variedade é o tempero da vida, e que fazer coisas que não são divertidas ou excitantes é uma perda de tempo.



  • SJ: Sensorial Julgador (chamados Guardiões) – Tipos: ISFJ, ESFJ, ISTJ, ESTJ

SJs são pessoas sensatas, realistas e que são a espinha dorsal das instituições e os verdadeiros estabilizadores da sociedade. Eles acreditam em seguir as regras e cooperar com as autoridades; de facto, eles não se sentem nada bem em improvisar ou causar problemas ou conflitos.



  • NF: Intuitivo Sentimental (chamados Idealistas) – Tipos: INFP, ENFP, INFJ, ENFJ

Os NFs acreditam que a cooperação amigável é a melhor forma para que as pessoas atinjam os seus objetivos. Eles sonham em remover os muros de egoísmo e dos conflitos que dividem as pessoas e têm um talento único para ajudar as pessoas a resolver as suas diferenças e assim trabalharem juntas. Tal harmonia interpessoal poderia ser um ideal romântico, mas os NFs são românticos incuráveis que preferem concentrarem-se no que poderia ser em vez do que no que é.



  • NT: Intuitivo Pensador (chamados Racionais) – Tipos: INTJ, ENTJ, INTP, ENTP

Seja qual for o seu campo, os NTs esforçam-se por compreender o mundo natural em toda a sua complexidade. NTs desejam aprender acerca dos princípios abstratos ou leis naturais que descrevem a realidade, como também em descobrir a estrutura e função dos sistemas complexos do mundo; sejam sistemas mecânicos, orgânicos ou sociais. Eles são completamente pragmáticos acerca de como ganharão esse conhecimento.


Em resumo, os artesãos seriam as pessoas que curtem o momento, e querem viver todas as oportunidades, e aceitam o que lhes for dado. Os guardiões são os pilares da sociedade, e as pessoas que querem manter tudo como está a ser feito, os tradicionalistas (os conservadores). Os idealistas são aquelas pessoas que vivem no mundo das ideias, sem se preocuparem muito de que maneira vão executar qualquer plano de acção. E os racionais são preocupados com conceitos, ideias e teorias, e estão preocupados de que maneira podem usar os seus conhecimentos para terem um impacto positivo na vida das pessoas. Grandes cientistas da história pertencem a este último grupo.


Leia também seu relatório vocacional:

INFJ
INTJ
ISFP
ESFJ

ENFJ
ENTP
ESTP
ESTJ

INFP
INTP
ISTP
ISTJ

ENFP
ENTJ
ESFPISFJ

Conheça também os relatórios dos 16 Tipos:


INFJ
INTJ
ISFP
ESFJ

ENFJ
ENTP
ESTP
ESTJ

INFP
INTP
ISTP
ISTJ

ENFP
ENTJ
ESFP

ISFJ

Não se esqueça de preencher o cadastro e responder ao nosso teste de personalidade.

domingo, 12 de setembro de 2010

Um robot humano?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Kieron Williamson - um pequeno génio da pintura


Tem apenas oito anos, mas já vendeu quadros a coleccionadores dos quatro cantos do mundo. O seu talento está a deixar boquiabertos os críticos de arte

Dizem que o seu traço é parecido com o do mestre francês do impressionismo. No mês passado, expôs 33 quadros em Norfolk, o condado britânico onde nasceu. Vendeu todos em menos de meia hora por 182 mil euros. Tem oitos anos, chama-se Kieron Williamson, mas todos os britânicos o conhecem como "mini- -Monet".

No Verão de 2008 foi de férias com os pais à Cornualha e gostou de ver os barcos atracados no porto. Pediu à mãe que o ajudasse a desenhá-los. O que tinham os barcos de especial? "Acho que a maneira como estavam posicionados", respondeu a um jornalista do Daily Telegraph.

Passou o resto das férias a desenhar, mas não se contentou com os barcos. Casas e paisagens foram o passo seguinte. A partir daí, Kieron começou a passar uma hora por semana no estúdio de uma pintora de Holt, a cidade onde vive, evoluindo rapidamente. Uma das primeiras coisas que Carol Pennington lhe pediu foi que misturasse diferentes tons de cinzento. Quando terminou, o pequeno aprendiz tinha conseguido 25 tons diferentes. Sabia exactamente como os tinha feito e como queria usá-los.

No Verão do ano seguinte, começou a fazer workshops que lhe permitiram desenvolver o domínio das técnicas de pintura. Foi nessa altura que expôs pela primeira vez os seus trabalhos e acabou por vender 19 quadros por um total de 14 mil libras (17 mil euros). Passados poucos meses, em Novembro, expôs 16 obras que deveriam estar em exposição durante um mês, mas acabaram por ser vendidas por 17 mil libras (21 mil euros) em apenas 15 minutos.

A fama do pequeno pintor começou a correr mundo e criou uma enorme curiosidade em torno dos seus quadros, levando coleccionadores dos quatro cantos do mundo a acampar à porta da sua última exposição até que esta abrisse. As cores que misturou estão por esta altura espalhadas por países como Holan-da, Alemanha, Canadá, Grécia, Japão, Estados Unidos, Taiwan, França e até Portugal.

Concentrado, mas enérgico. Reservado e ao mesmo tempo curioso, o pequeno inglês tem uma irmã de cinco anos, é adepto do Leeds United e diz que é o melhor defesa da equipa da escola.

Perante rumores de que o seu filho possa sofrer de autismo, Michelle e Keith esclarecem no site oficial de Kieron que o seu desenvolvimento foi "completamente normal". "É uma criança muito concentrada e determinada". "Não é autista - basta mudar uma letra - é artista", disse Michelle, uma nutricionista de 36 anos, ao Daily Telegraph. Já o pai, começou a trabalhar como negociante de arte pouco depois de Kieron ter começado a pintar, levando muitos a perguntarem-se se tudo não se tratará de um esquema. Os pais garantem que o reconhecimento do talento de Kieron só foi possível com o apoio das galerias de arte da cidade e que se limitaram a dar os materiais ao filho sem o forçar a nada.

O pequeno grande artista diz que prefere pintar a óleo. "Mas os pastéis também são bons para conseguir céus mais dramáticos."

|Catarina Reis Fonseca, DN

Alguns exemplos:






















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