quarta-feira, 26 de maio de 2010

O homem mais feliz do mundo?





























Matthieu Ricard trocou a engenharia molecular pelo budismo. É um dos monges mais próximos de Dalai Lama e está em Lisboa para falar sobre os efeitos da meditação.
A ciência diz que este deve ser o homem mais feliz do mundo
Vinte minutos de meditação por dia são suficientes para melhorar a sua vida. Quem o diz não é o novo guru da auto-ajuda que acaba de chegar às estantes da bomba de gasolina, mas o braço-direito de Dalai Lama, o monge Matthieu Ricard. O francês de 64 anos foi até considerado o homem mais feliz do mundo, apesar de ficar embaraçado com o apelido. "Como podem dizer que sou o mais feliz do mundo se não analisaram todas as pessoas?", questiona a rir Matthieu Ricard.
O i devolve a explicação. O monge participou numa investigação da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, sobre os efeitos a curto e médio prazo da meditação nas funções cerebrais e deixou os cientistas de boca a aberta. Pode dizer-se que literalmente rebentou a escala da felicidade. "Quando fui convidado a participar no estudo, pensava que o efeito da meditação não se iria notar. Mas foi impressionante, os cientistas ficaram muito entusiasmados."

O cérebro do monge foi monitorizado, o que significou colar 256 sensores na cabeça durante três horas. A escala de felicidade, criada para a investigação (testada em centenas de pessoas) ia de um mínimo de felicidade, +0.3, ao máximo: -0.3. Matthieu Ricard atingiu -0.45.

Desde 2000 que Matthieu Ricard tem convencido outros monges experientes - com mais de 10 mil horas de meditação - a juntarem-se às investigações de neurociência e tem feito várias conferências para divulgar estas descobertas.

Acabado de chegar de mais um estudo nos Estados Unidos, Matthieu Ricard está pela quinta vez em Portugal. Amanhã dará uma conferência na Aula Magna, em Lisboa, sobre "neurociência e felicidade". "Quero mostrar uma nova maneira de ver o cérebro. Não há dúvidas de que devemos ir à escola para estudar ou de que quando temos um hobby, seja tocar piano ou fazer jogging, temos de treinar, o mesmo se passa com o cérebro. Temos de o trabalhar para sermos mais felizes. A felicidade é complexa e tem de vir de dentro de nós e não ficar dependente do exterior, senão vivemos numa montanha-russa."

Meditar
Para exemplificar melhor, o monge apressa-se a apresentar mais um estudo - talvez, seja um tique de ex-cientista. Aqui vai. Dividiram 30 pessoas, sem experiência em meditação, em dois grupos. Ao primeiro grupo pediram que, durante oito semanas, meditassem 20 minutos por dia. O outro ficou com a tarefa mais fácil: continuar a vida normal sem meditar. No final, o grupo que meditou tinha níveis de felicidade mais elevados e menos ansiedade. Até a pressão arterial estava mais baixa. "A meditação deve ser levada a sério. Se fazemos tudo para ter um corpo saudável, também devemos investir na mente. Arranja-se sempre tempo para a meditação", diz.

Outro conselho do monge é: "ser altruísta compensa". Aquela coisa da sociedade ocidental - cada um por si - afinal não resulta assim tão bem. "Um grupo de investigadores norte-americanos deu 15 dólares a dois grupos de jovens para gastarem durante uns dias. O primeiro só podia comprar coisas para si. O segundo teve de gastar o dinheiro com os outros, dar comida a pessoas que precisavam ou a levar alguém a passear. O primeiro grupo ficou aborrecido, enquanto o segundo registou níveis de felicidade muito mais elevados", diz o monge.

"Quero ser assim"
Matthieu Ricard nasceu no meio de intelectuais. Tomava café com prémios Nobel, jantou com Cartier-Bresson e almoçou com Stravinsky. Filho do filósofo Jean-François Revel e doutorado em Genética Molecular pelo Instituto Pasteur, Matthieu estava traçado para uma carreira académica de sucesso. Mas tudo mudou em 1967. "Vi um bonito documentário com os grandes mestres do Tibete e pensei: 'Quero ser assim.'" Em 1972 trocou de vez a França pelos Himalaias. Conheceu Dalai Lama através do seu professor Kangyur Rinpoche e há mais de 20 anos que é o tradutor e braço-direito de sua santidade.

Matthieu Ricard é também fotógrafo e autor de diversos livros sobre meditação, incluindo o bestseller "The Monk and the Philosopher" - um diálogo com o seu pai. Pelo meio arranja sempre tempo para os 14 projectos de solidariedade social


Conferência “Neurociência e Felicidade”

Dia 26, às 21horas
Aula Magna, Alameda da Universidade, Lisboa
Preços: €10 a €15

Vanda Marques, Jornal I

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ciência estuda cérebro para perceber consumo


Porque é que investimos, poupamos ou gastamos o nosso dinheiro? As respostas podem ser "lidas" nos nossos cérebros.

As decisões económicas são imprevisíveis porque nem sempre são racionais, mas a neuroeconomia pode ajudar a compreender melhor o que está na base de determinados comportamentos e tendências, estudando a forma como o cérebro funciona.

Esta ciência está ainda a dar os primeiros passos, mas pode vir a tornar-se uma ferramenta muito útil, defende o investigador e autor do livro "Neuroeconomia - Ensaio sobre a sociobiologia do comportamento", de José Eduardo Carvalho.
Os estudos neuroeconómicos revelam o papel das emoções nas escolhas estratégicas e podem contribuir para ajustar os modelos económicos a uma nova realidade. Recorrendo a áreas científicas como a cromotografia, a microelectrónica e a nanotecnologia, os neurocientistas dispõem de "um conjunto de instrumentos que permite ver em tempo real como é que as pessoas reagem, em termos hormonais, se forem estimuladas".

"O que as pessoas dizem nem sempre corresponde à realidade", sublinha o professor universitário. "Hoje, é possível ver isso e estes instrumentos podem optimizar a informação de que os economistas hoje dispõem."

No entanto, a nova ciência está a ser mais aproveitada pelos "homens do marketing" do que pelos economistas. A neurociência descobriu que há zonas do cérebro que são estimuladas quando uma pessoa é confrontada com um dado objecto, mas nem sempre funcionam de forma racional. "A estimulação é visível numa determinada zona e depois há outra zona que faz a aferição do preço, por exemplo, mas se houver uma deficiência do funcionamento cerebral, essa zona não se 'acende' e o indivíduo pode endividar-se para comprar um bem de que não necessita."

A explicação para o sobre-endividamento pode ter também a ver com outra descoberta: "Temos uma componente genética que nos pode fazer desenvolver uma certa propensão para o consumo, mas também há uma componente cultural, que resulta de uma aprendizagem e que se transmite através de gerações", explicou o economista.

Os comportamentos económicos reflectem crenças e valores, salienta. Ao contrário do que acontecia há décadas, em que os pobres se resignavam e não ambicionavam chegar a uma classe superior, hoje as pessoas com menores rendimentos "são constantemente estimuladas para o consumo, pelos anúncios e pelas telenovelas e vão interiorizando estes padrões", avança José Eduardo Carvalho.
|Raquel Rito, DN

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Inteligência

O desenvolvimento psicossocial segundo Erikson

QUADRO TEORIA DE ERIKSON

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Pablo voltou a andar com hormonas de crescimento

Contra todas as previsões dos clínicos, um jovem espanhol recuperou a 100% de um acidente de automóvel. Foi o próprio pai, médico e investigador, quem decidiu aplicar-lhe um método pioneiro que utiliza hormonas de crescimento na regeneração de lesões. Os médicos portugueses dividem-se sobre este novo tratamento: para uns é uma esperança para doenças neurológicas; para outros levanta ainda muitas dúvidas éticas e de segurança.

Uma clínica espanhola, em Santiago de Compostela, promete resultados surpreendentes na cura de doenças cerebrais e de deficiências motoras, com a aplicação de hormonas de crescimento. Os benefícios destas substâncias produzidas naturalmente na hipófise (glândula situada na base do cérebro) são reconhecidos por exemplo para aumentar a altura em pessoas com problemas de crescimento (ver texto ao lado). Mas, na regeneração dos neurónios, este programa é pioneiro.

Com este tratamento, o director do Centro de Reabilitação Foltra, Jesús Devesa, professor catedrático na Universidade de Santiago de Compostela, conseguiu recuperar o filho, que ficou com lesões cerebrais depois de um grave acidente de carro. Foi o seu primeiro doente. E Pablo, hoje com 29 anos, conseguiu voltar a andar, falar e comer. Depois dele, o tratamento foi usado noutros 300 doentes paraplégicos ou com deficiência mental congénita ou adquirida. "Injectamos hormonas de crescimento na área subcutânea do braço, que induzem a produção de células- -mãe e regeneram os tecidos danificados", descreve Jesús Devesa ao DN, assegurando uma taxa de sucesso na casa dos 90%. Entretanto, a descoberta veio a público em Espanha e a técnica vai ser aplicada também num centro de paraplégicos de Toledo.

As hormonas de crescimento seriam uma solução para os 150 mil portugueses com deficiência motora ou os 75 mil que sofrem de lesões cerebrais? Ou ainda os 200 novos casos de crianças com paralisia cerebral que nascem por ano em Portugal? Os médicos dividem-se. Embora não conheçam bem o tratamento, uns acreditam que pode ser uma esperança nos casos de paraplegias. Para outros é uma "aplicação meramente experimental e episódica", sem explicações científicas fundamentadas e com implicações no plano ético e da segurança.

Pablo Devesa tinha saído de casa para se encontrar com os amigos, quando um acidente de viação o lançou num coma profundo durante um mês. "Lembro--me estar a chover muito e de eu ter embatido numa casa", conta o biólogo ao DN. Depois, ficou tudo escuro e imóvel.

O acidente atirou--o para uma cama nos cuidados intensivos, com um traumatismo cranioencefálico e uma hemiplegia - uma paralisia das funções de um lado do corpo. "O traumatismo comprometeu o lado esquerdo do meu cérebro. Quando acordei, os médicos não me davam muitas esperanças de recuperação. Não conseguia falar, comer ou andar", lembra Pablo.

Já em casa, o pai, Jesús Devesa, não hesitou em aplicar no filho os ensinamentos que desenvolvera durante anos em laboratório. "Estava consciente do que fazia. Sabia que era eficaz e tinha de acreditar nisso", sublinha o médico.

Durante os meses seguintes, Pablo recebeu diariamente uma dose de hormonas de crescimento (produzidas industrialmente a partir de engenharia genética), em ciclos de 15 dias. "O seu efeito chega às zonas onde está a lesão, levando à proliferação de células-mãe e restituindo os estímulos nervosos no local afectado", diz Pablo. O tratamento era articulado com um plano intensivo de fisioterapia.

"Cada caso é um caso e a dose a aplicar depende da doença, da idade e do progresso do paciente", indica Jesús Devesa, acrescentando: "Nas crianças, o processo de recuperação é mais rápido, pois a neuroplasticidade promove uma proliferação mais célere das células".

Pablo tinha 22 anos, e a sua recuperação fez-se em oito meses. "Fiquei curado, sem sequelas. A recuperação foi a 100%. Hoje levo uma vida completamente normal, como qualquer jovem. Jogo futebol, bebo um copo com amigos."

Mais: está há um ano a trabalhar no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, como investigador, e a terminar a tese de doutoramento a defender dentro de semanas. A base da investigação? O seu próprio caso e as implicações das hormonas de crescimento no processo de neuroregeneração. "É um trabalho que segue as linhas de orientação da investigação do meu pai. Quero comprovar os resultados em humanos, sem efeitos secundários, no sentido de dar uma base científica mais aprofundada", diz Pablo Devesa.

O tratamento não é consensual nos especialistas portugueses. José Luís Medina, director do Serviço de Endocrinologia do Hospital de São João, mostra-se optimista: "Cientificamente devemos esperar pelos resultados do estudo, mas é uma esperança." "Devido às suas propriedades de crescimento e proliferação celular, talvez se possam obter alguns efeitos em situações como esta", diz Manuela Carvalheiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo.

Já Fernando Baptista, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é mais céptico. "Será uma aplicação meramente experimental e pode ser geradora de falsas expectativas", alerta. "Nos últimos anos têm sido demonstrados outros efeitos a nível metabólico, mas não é o caso dos efeitos eventualmente neuroregeneradores deste caso."

O presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências, João Malva, coordenador da equipa onde trabalha Pablo Devesa, no centro de neurociências, mostra-se bastante crítico. "É um tratamento que tem implicações sérias no plano ético e da segurança, uma vez que a hormona do crescimento pode trazer problemas secundários muito significativos associados à proliferação descontrolada de células, como em tumores", avisa o biólogo. "Acreditar na sua eficácia é uma questão de fé, porque do ponto de vista científico não há explicações fundamentadas. Mas a motivação dos pacientes pode fazer milagres", conclui.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Psicologia A/12º Ano - Orientações para a prova de recuperação

A prova será constituída por 4 questões de desenvolvimento.
Duas questões serão sobre a teoria do desenvolvimento de Piaget.
Uma questão incidirá sobre a teoria do desenvolvimento de Vygotsky.
Uma questão terá como base um confronto entre Vygostky e Piaget.

Mateirias de apoio:
Para além das fichas que serviram de base à aulas, os seguintes materiais podem ajudar a preparar a prova.
Assim, é aconselhável o visionamento do documentário "Introdução a Vygostsky".

Sobre Piaget, pode consultar-se o seguinte livro (até à p. 32):

DESENVOLVIMENTO & APRENDIZAGEM EM PIAGET E VYGOTSK: A RELEVÂNCIA DO SOCIAL Por Isilda Campaner Palangana

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Adolescência: um bicho de sete cabeças?

Texto disponibilizado no site:
www.psicologia.com.pt
Format: PDF.
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Valdeci Gonçalves da Silva
valdecipsi@hotmail.com
Psicólogo. Professor Titular de Psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Especialista em Metodologia do Ensino de 3o grau. Mestre em Sociologia da Sexualidade
2008

Idioma: Português do Brasil
Palavras-chave: Adolescente, droga, sociedade, insegurança, violência, política

Resumo

Este texto faz uma correlação do comportamento anti-social do adolescente, da sua adição às drogas com a estrutura da sociedade que espera do mesmo, quando ela própria não consiste em nenhuma excelência de modelo. Culpar esse ser em formação, ainda confuso na construção dos seus conceitos, consiste num paradoxo, uma vez que, a família, a polícia, a escola, a justiça e outros, deixaram de ser referencias. Em virtude da morte do Pai social essas instituições não parecem autorizadas a exigir do jovem um comportamento saudável, politicamente correto, quando já não apresenta as condições mínimas, pelo menos no contexto brasileiro, de segurança, consistência dos valores morais e éticos. Na realidade, uma sociedade tóxica, na qual tem no seu entorno cotidianas violências urbanas reais e simbólicas. Assim, o adolescente com condição emocional instável e/ou psicológica conturbada vê-se impulsionado a buscar algum “refúgio” nas drogas e/ou violência. Porque a sociedade, tal qual como ele que se sente “perdido”, não oferece parâmetros de confiança e estabilidade nesta suposta ordem e progresso.

Ler texto integral


Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano- Bronfenbrenner



http://www.ricardosaldanha.com.br/wp-content/uploads/2008/04/teoria-dos-sistemas-ecologicos-krebs.pdf




Roteiro de trabalho:


1. Faça o levantamento dos conceitos-chave da teoria ecológica do desenvolvimento e elabore um mapa conceptual que mostre a articulação entre esses conceitos.
2. A teoria ecológica pode ser aplicada no desporto? Responda a esta questão tendo em conta as problemáticas relacionadas com a formação desportiva e o seu contributo para o desenvolvimento equilibrado das crianças (e das pessoas, em geral).
3. O desenvolvimento das crianças portadoras de deficiência pode ser explicado pela teoria ecológica. Escolha um tipo de deficiência e faça uma pesquisa sobre as crianças que são portadoras dessa deficiência. Depois, sistematize os dados recolhidos, com base na teoria ecológica do desenvolvimento.

O estranho caso da mulher com um braço fantasma

Depois de ter perdido a mobilidade no braço esquerdo devido a um AVC, uma paciente suíça de 64 anos assegura ver e movimentar um terceiro membro. A culpa, dizem os especialistas, é do seu cérebro.



A história parece saída de um filme, mas este é um daqueles casos em que a realidade supera a ficção. Uma equipa de médicos suíços comprovou a existência de um "braço fantasma" numa mulher que havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC).

A paciente, de 64 anos, perdeu a mobilidade no lado esquerdo do seu corpo após o AVC, mas, poucos dias depois, detectou um terceiro membro, de um branco quase translúcido, que acreditava usar para tocar objectos e até coçar a cabeça.

O fenómeno foi estudado por uma equipa de investigadores do Hospital Universitário de Genebra , que recorreram a imagens de ressonância magnética para analisar a actividade cerebral da paciente quando esta movia o seu braço direito, tentava mover o esquerdo ou usava o "membro fantasma".

Os resultados, publicados na revista científica "Annals of Neurology ", mostram que, quando a paciente foi orientada para coçar a face com o "braço fantasma", o gesto provocou uma activação das áreas cerebrais relacionadas com o movimento e a visão, sinal que ela não só sentia o membro imaginário, como era capaz de o ver e movimentar. O fenómeno parece ficar a dever-se, segundo os autores, a uma "padrão de comunicação subitamente aberrante entre o cérebro e o membro paralisado".

Os membros fantasma são normalmente descritos por pessoas que sofreram uma amputação, embora também sejam sentidos como um membro extra em pacientes com paralisia em consequência de um AVC. Geralmente os pacientes conseguem sentir a presença destes membros, mas a sua visualização ou sensação de movimento é muito mais ra
|Nelson Marques Expresso

Jogos de tabuleiro desenvolvem raciocínio dos mais jovens de forma divertida






















Cerca de duas dezenas de crianças e jovens, do ensino primário ao secundário, juntaram-se esta tarde numa sessão de jogos matemáticos, que têm como objectivo desenvolver o raciocínio.

Avaliar, ponderar, antecipar, delinear uma estratégia, testar a jogada, corrigir se for preciso, e jogar para derrotar o adversário. Foi em torno deste processo, patente em jogos de tabuleiro de cariz matemático, que esta tarde um grupo de jovens ocupou o seu tempo e atenção.

Distribuídos por idades, as crianças e jovens de diversas idades que esta tarde responderam ao apelo do pólo do Instituto Superior Técnico do Taguspark, em Oeiras - que em parceria com a Associação Ludus, esta tarde organizou um "Festival de Jogos Matemáticos" -, confirmaram que a matemática não só é útil, como pode ser divertida.

"São jogos bem escolhidos no sentido em que são jogos intelectuais sem factor sorte, são jogos de estratégia que puxam o raciocínio, essencialmente do género matemático", explicou Jorge Nuno Silva, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente da Associação Ludus. "São jogos de tabuleiro, com regras muito simples, mas com estratégias em aberto", referiu Jorge Nuno Silva que acrescentou que estes jogos se assemelham ao xadrez no sentido em que não é possível aprender a jogá-los na perfeição.

Estes jogos estão particularmente indicados para os mais jovens, até porque, referiu o presidente da Associação Ludus, "está documentado que a prática deste tipo de jogos de tabuleiro está associada a um melhor desempenho escolar", e que apesar de terem operações simples, ajudam a desenvolver o raciocínio lógico.

"As operações são de tipo abstracto, são do género que faz um jogador de xadrez. Tem de pensar, antecipar, testar, optar, corrigir, esse tipo de processo intelectual que está intimamente ligado ao processo da resolução de problemas matemáticos. O processo interno mental é muito semelhante", disse.

Inês Filipar, de 11 anos, e Francisco Fernandes, de 10 anos, foram agrupados no mesmo nível de dificuldade - jogos de 2º nível, para alunos do 2º ciclo - e defrontaram-se numa partida de Konane, um jogo havaiano em que o jogador movimenta as peças de forma a "comer" as peças do adversário.

"Isto é divertido. Também tem coisas matemáticas, mas não é muito difícil, não é preciso pensar muito", disse Inês, que encarou a derrota na partida com sentido de humor. "Ele até ganhou, mas é sorte de principiante como eu lhe disse", brincou a jovem participante.

Francisco, o oponente, que aprendeu a jogar Konane apenas hoje, é um adepto da matemática que consegue ver vantagens neste tipo de jogos. "Acho que ajuda a desenvolver o raciocínio matemático. Ajuda-me a pensar bem", disse.
|Público

Sequenciado primeiro genoma de um anfíbio






















O genoma da primeira espécie de anfíbio foi sequenciado. A rã Xenopus tropicalis tem entre 20 e 21 mil genes, dos quais 1700 são análogos a genes humanos relacionados com doenças.

“Quando se analisa os segmentos do genoma do Xenopus está-se a olhar literalmente para estruturas que têm 360 milhões de anos de idade e eram parte do genoma do último ancestral comum de todas as aves, rãs, dinossauros e mamíferos que caminharam pela Terra”, disse em comunicado Uffe Hellsten, primeiro autor do artigo que vai ser publicado amanhã na revista Science.

O investigador que liderou o projecto trabalha no DOE Joint Genome Institute, na Califórnia. A ideia do projecto nasceu em 2002 e reuniu o trabalho de 24 instituições e 48 investigadores. Como em todas as outras ocasiões em que se sequenciou o genoma de um organismo, este é o primeiro passo para um estudo mais aprofundado da genética desta rã.

“Agora começa o trabalho a sério”, disse em comunicado Jacques Robert, investigador doutorado que trabalha no Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O investigador acrescenta que o próximo passo é “compreender como e quando estes genes são ligados e desligados, e como trabalham juntos durante o desenvolvimento e durante a doença.” A equipa deste investigador produziu muita informação sobre 200 dos genes da rã.

Mas a sequenciação do genoma já deu novidades. Na rã, perto de 90 por cento dos genes têm os mesmos genes vizinhos que os humanos. Ou seja, a maioria dos “bairros genéticos” do anfíbio são equivalentes aos humanos. Este dado é importante para compreender como é que estas comunidades genéticas interagem, o que muitas vezes está relacionado com a nossa susceptibilidade para problemas de saúde como o cancro ou as doenças cardíacas.

O Xenopus tropicalis tem dez cromossomas e está presente em laboratórios de todo o mundo. Desde a década de 1940 que o género desta rã, que reúne cerca de 20 espécies, é utilizada pelo Homem. Os primeiros testes de gravidez foram feitos com a ajuda da Xenopus laevis que reage a uma hormona feminina produzida durante a gravidez que a faz ovular e produzir ovos em menos de 10 horas.

Apesar de a X. laevis ser mais utilizada, o consórcio escolheu a X. tropicalis por ter cerca de metade do material genético para sequenciar e ter ciclos reprodutivos mais rápidos.
|Público

Efeitos da consanguinidade na famíla de Darwin



Darwin: selecção pouco natural amaldiçoa a família


Dos dez filhos de Emma e Darwin, três tiveram morte prematura e outros três foram inférteis

Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies que revolucionou a ciência, parece ter condenado a própria descendência devido aos problemas de consanguinidade da sua família. Os cientistas relacionam uma série de casamentos entre primos na família de Charles Darwin e na de Emma Wedgwood, com quem se casou, com os níveis anormais de infertilidade e morte prematura tanto entre os seus familiares como nos seus próprios descendentes. Dos seus dez filhos, três tiveram morte prematura, enquanto outros três foram inférteis.

O estudo dos antepassados de Darwin revela uma história de casamentos consanguíneos nos Darwins e nos Wedgwoods que poderão ter produzido uma série de defeitos genéticos - a maior parte das mutações genéticas não se manifestam quando são herdadas apenas de um dos pais. Na era vitoriana era bastante comum primos direitos casarem entre si mas nestas famílias esta tendência foi ainda mais acentuada, de acordo com James Moore, professor de História da Ciência da Universidade Aberta do Reino Unido, que se prepara para publicar o estudo. "Os resultados são incríveis: 26 crianças nasceram de casamentos entre primos em primeiro grau, 19 das quais não conseguiram ter filhos", diz Moore. As conclusões baseiam-se no trabalho de investigação de Michael Golubovsky, professor de Biologia Molecular da Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA, que publicou um estudo sobre a infertilidade de três dos filhos de Darwin. Golubovsky acredita que uma mutação genética herdada dos dois progenitores provocou a infertilidade.
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André Patrocínio, Jornal I online
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