quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nasceu a primeira forma de vida artificial


Uma bactéria, comandada por uma molécula de ADN sintético, conseguiu reproduzir-se da forma mais natural. O resultado, publicado na revista Science, tem aplicações e implicações – científicas e filosóficas – ainda em grande parte desconhecidas.


Na fotografia, as colónias de células, com uns 70 micrómetros de diâmetro, parecem diminutos ovos estrelados com a gema azul. Graças a isso, sabemos que não estamos a olhar para uns microrganismos quaisquer, mas para as bactérias criadas por cientistas no laboratório. Vida artificial, fabricada de raiz num pratinho de vidro, a partir dos seus componentes genéticos elementares.

A nova bactéria foi feita “a partir de quatro frascos de compostos químicos”, gosta de repetir Craig Venter nas entrevistas que tem concedido à imprensa (sob embargo) nos últimos dias. Com os seus colegas, o conhecido “caça-genes” norte-americano acaba de inaugurar oficialmente a “era da biologia sintética”. Cada um desses quatro “frascos”, entenda-se, contém uma das "letras" do "alfabeto" com que se escreve o ADN – A, T, G, C –, as moléculas de base que compõem esse grande livro da vida genético.

A equipa do J. Craig Venter Institute, EUA, já tinha anunciado várias vezes o que vinha aí. Mas na realidade, a sua saga, que começou há mais de 15 anos e custou 40 milhões de dólares, foi pautada, sobretudo desde 2007, por episódios muito excitantes – e também por obstáculos que fizeram os autores temer o fracasso. “Demorou muito mais tempo do que poderíamos ter imaginado”, salienta Venter.

Mas já está – e o nascimento desta primeira forma de vida artificial ficará registado para a posteridade nas páginas da edição de sexta-feira da revista Science (e na Web, desde hoje). “Esta é a primeira célula sintética jamais fabricada”, afirma Venter, “e dizemos que é sintética porque a célula é totalmente derivada de um cromossoma sintético.”

Peças de lego

Em 2007, a equipa mostrou que era possível transplantar o genoma de bactérias de uma espécie para bactérias de outra espécie semelhante e fazer com que a segunda mudasse de espécie, adquirindo a da primeira – isto é, trocasse a sua própria identidade pela do seu novo ADN. No ano seguinte, conseguiram sintetizar na íntegra o genoma de uma bactéria.

Bastava agora, para criar um ser vivo artificial, combinar as duas coisas. Assim obter-se-ia uma bactéria cujo ADN fora retirado e substituído por um ADN diferente – e desta vez, completamente fabricado pelos cientistas. Esperava-se que esta bactéria se comportasse como um ser vivo natural, usando o ADN sintético como património genético para se reproduzir.

Uma primeira dificuldade técnica foi simplesmente o facto de não existir tecnologia que permita construir moléculas do tamanho do ADN, composto pelo encadeamento de centenas de milhares de pares de bases A, T, G, C. Ora, o ADN da bactéria utilizada nas experiências, Mycoplasma mycoides, contém mais de um milhão de pares de bases.

Os cientistas começaram por comprar a uma empresa especializada os cerca de 1000 bocadinhos, cada um com uns 1000 pares de bases, que constituem esse ADN bacteriano. Recorda Venter: “Foi como ter uma caixa de peças de lego e ter de as montar.”

Introduziram as peças dentro de leveduras (uma máquina natural de desfiar ADN) e obtiveram peças mais extensas; a seguir, introduziram-nas dentro de bactérias Escherichia coli e sintetizaram cadeias ainda maiores – antes de as voltarem a pôr dentro de leveduras. No fim, tinham um genoma inteiro de Mycoplasma mycoides, totalmente fabricado no laboratório.

Contudo, o ADN sintético era um pouco diferente do ADN natural de Mycoplasma mycoides, porque entretanto os cientistas tinham eliminado 14 genes potencialmente patogénicos (para as cabras) e acrescentado várias “marcas de água” – sequências de letras do ADN facilmente reconhecíveis como artificiais: um sítio de Internet, os nomes dos elementos da equipa e várias citações famosas, “para dar um toque mais filósofico à coisa”, frisa Venter.

Um bug microscópico

Mas o mais difícil foi fazer com que o novo ADN funcionasse dentro das células hospedeiras – e de facto, da primeira vez que os cientistas introduziram, esperançados, o genoma sintético nas células da bactéria Mycoplasma capricolum... nada aconteceu. Tal e qual especialistas de software, a equipa andou durante três meses a fazer debugging do código do ADN, explica um artigo jornalístico que acompanha a publicação na Science. Finalmente descobriram, há cerca de um mês, que o que estava a empatar tudo era um erro numa única letra do código! Os ovos estrelados com gema azul começaram a proliferar.Nem toda a gente concorda em dizer que a nova bactéria é totalmente sintética, uma vez que foi preciso introduzir o ADN artificial dentro de uma célula viva já existente. Mas isso não impede os especialistas ouvidos pela Science de saudarem os resultados. Venter, quanto a ele, não tem dúvidas de que a bactéria seja totalmente sintética: “Após algumas replicações, não resta absolutamente nada de M. capricolum nas novas células”, argumenta. Novas células que produzem unicamente – e da forma mais natural do mundo – proteínas específicas de M. mycoides.

Por enquanto, o processo não é eficiente. Mas as aplicações futuras podem ser coisas como a criação de algas produtoras de petróleo (Venter já tem um “grande contrato” com a Exxon) ou que reduzem “em 99 por cento” o tempo de fabrico das vacinas contra a gripe sazonal (em colaboração com a Novartis).
20.05.2010
|Ana Gerschenfeld, Público

'Homem sem rosto' do Rossio operado em Chicago



José Mestre, conhecido há vários anos no Rossio e Restauradores como o 'homem sem rosto', foi operado em Chicago, tendo-lhe sido removido um tumor de 40 centímetros e 5,5 quilos, noticiou a estação televisiva ABC.

O tumor, que cobria a maior parte do rosto e punha em risco a vida de José Mestre, foi retirado depois de três meses de preparação em Chicago, nos Estados Unidos, tendo sido necessárias quatro cirurgias.

«Finalmente teve uma hipótese de levar uma vida mais ou menos normal porque, antes disto, [José Mestre] sentia que, apesar de nunca o ter pedido, era o centro das atenções em todo o lado», disse o seu tradutor à ABC.

A história começou no ano passado quando, em Julho, José Mestre, então com 53 anos, foi convidado pelo canal de televisão Discovery para filmar em Londres um documentário sobre o seu problema.

O programa, intitulado O homem sem cara, foi apresentado no início de Dezembro mostrando o rosto deformado do homem que costumava andar pela zona do Rossio, tendo o canal contactado dois médicos famosos nos hospitais de St. Bartholomew e de Broomfield para pedir opinião.

Ian Hutchison, o médico do St. Bartholomew consultado, ofereceu-se de imediato para fazer-lhe uma cirurgia inovadora, e de graça, para devolver a José Mestre o rosto que desde criança se vinha a deformar prometendo uma melhoria da qualidade de vida já que lhe possibilitaria respirar melhor, falar, comer e ver.

A maior dificuldade foi conseguir o acordo do próprio José Mestre que, como testemunha de Jeová, mostrou reservas em fazer a cirurgia.

No entanto, o facto de, nos últimos meses, o tumor lhe ter provocado cegueira de um dos olhos, além de ter coberto por completo a boca e a língua, levou a sua irmã a insistir na operação.

«Se não fosse feito nada, ele morria», explicou à ABC a irmã, Edite Abreu, garantindo que «agora, ele tem uma nova vida».

José Mestre, que foi submetido a duas cirurgias perigosas nos últimos dias para reconstruir o seu rosto, está ainda a recuperar, com o rosto envolto em gaze, mas já consegue deslocar-se sozinho e falar com dificuldade.

«Nenhum médico o queria operar, por isso, para ele, desde a primeira cirurgia que esta história tem um final feliz, porque ele nunca acreditou que chegasse aqui vivo», disse o tradutor à estação televisiva.

«Este foi provavelmente o maior tumor jamais retirado e, por isso, foi muito difícil fazê-lo sem deformar o rosto», explicou Ramsen Azizi, um dos cirurgiões que está a tratar do caso.

José Mestre saiu do hospital na segunda-feira à tarde e voltará a Portugal daqui a poucas semanas, refere a ABC, acrescentando que a família continuará a ser apoiada médica e financeiramente pelo hospital.

Lusa / SOL
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Homem sem rosto já está sem tumor



José Mestre, conhecido como homem sem rosto , foi operado nos Estados Unidos, onde lhe removeram um tumor de mais de cinco quilos e 40 centímetros. A intervenção custou 60 mil euros e foi paga pelo Estado português.

O tumor tapava toda a cara de José Mestre e colocava em risco a sua vida. De acordo com o Correio da Manhã, foram necessárias quatro cirurgias, com períodos de pausa de cinco meses, num processo que durou cerca de dois anos.

As operações foram conduzidas pelo médico Iain Hutchinson, que realizou uma cirurgia inovadora.

José Mestre tinha uma malformação vascular e um angioma que foram progredindo, apesar de ter sido operado ao lábio inferior aos 14 e aos 18 anos, como escreve o CM.

Esta operação só foi possível porque implica uma técnica sem transfusão de sangue, visto que José Mestre se recusava a esta prática por ser testemunha de Jeová.

SOL

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Agora o telemóvel já identifica emoções


Escusa de disfarçar. Agora o telemóvel já identifica emoções


As possibilidades de utilização de um telemóvel são agora quase infinitas. Um novo sistema chamado Emotion Sense” utiliza o sistema de gravação para analisar a mensagem passada pelo utilizador. Captada a mensagem, esta é comparada com a biblioteca de expressões, que representam diferentes tipos de emoções. A partir daí, as amostras são agrupadas em cinco categorias mais amplas como “Felicidade”, “Tristeza”, “Medo”, “Ira” e “Emoções neutras”, como o aborrecimento e a passividade.
Os dados podem ser inseridos no GPS do telemóvel e, utilizando o bluetooth, pode ser identificadas as pessoas com quem está o utilizador na altura da gravação.
Os primeiros resultados da investigação mostram que a tecnologia pode ajudar os psicólogos a perceber quais são os momentos altos e baixos dos pacientes, e se estes estão relacionados com locais ou pessoas específicas.
“Com o tempo, esta nova tecnologia pode ter um enorme impacto na forma como se estuda o comportamento humano”, explica a directora da investigação, Cecilia Mascolo, da Universidade de Cambridge. Os dados estão a ser trabalhados para não serem transmitidos, protegendo a privacidade do utilizador.
Segundo um estudo piloto, a categoria “Feliz” é mais evidente quando o utilizador está em casa, mas nos locais de trabalho a categoria “Triste” é a que sobressai.
Os investigadores conseguiram mostrar que os utilizadores mostram emoções mais intensas durante a tarde e que as pessoas tendem a expressar mais emoções em grupos pequenos, do que quando estão num grupo maior.
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