terça-feira, 31 de maio de 2011

Apple provoca reacção 'religiosa' no cérebro


Cientistas britânicos podem ter descoberto a razão - pelo menos em parte - da popularidade da Apple: os produtos da empresa de Steve Jobs provocam nos seus fãs reacções no cérebro semelhantes às das experiências religiosas.

A surpreendente descoberta foi mostrada no programa da BBC Secrets of the Superbrands, emitido no Reino Unido na noite de ontem, quinta-feira, e hoje reportado em vários sites dedicados a ciência e tecnologia.

A produção do programa pediu a cientistas para analisarem o que acontece ao cérebro de um fanático da Apple enquanto observa os gadgets produzidos pela empresa.

A 'cobaia' escolhida, segundo o site CNet, foi o blogger e 'viciado' em Apple Alex Brooks, que além de manter uma página na net dedicada aos aparelhos da maçã ainda invoca o recorde de ter estado presente na inauguração de 30 lojas da marca em todo o mundo.


Os especialistas colocaram Alex Brooks numa máquina de ressonância magnética e estudaram, em tempo real, as alterações fisiológicas do seu cérebro cada vez que lhe era mostrada uma fotografia de um produto Apple.

Quando comparadas estas medições com outras semelhantes realizadas em pessoas muito religiosas - e expostas a imagens ligadas à sua fé - os neurologistas encontraram efeitos semelhantes. Ou seja, o cérebro de Alex Brooks reagiu perante um iPhone ou um iPad de uma forma parecida com a reacção de um cristão fundamentalista perante um crucifixo, por exemplo.

O programa Secrets of the Superbrands, da BBC, propõe-se a estudar o impacto nas nossas vidas de grandes marcas como a Apple, Google, Microsoft ou Nokia.
Diário de Notícias 20/05/2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O gene da felicidade?



Cientistas associam gene à felicidade

Uma pessoa com duas variantes longas de um gene pode ter mais facilidade em ver o lado bom das coisas e por isso ser mais feliz, pelo menos de acordo com um estudo que vai ser publicado na revista Journal of Human Genetics.

O trabalho foi feito a partir de um estudo norte-americano que observou a saúde dos adolescentes ao longo de 13 anos, entre 1995 e 2008. Para o trabalho de Jan-Emmanuel De Neve, investigador da Escola de Londres de Economia e Ciência Política, foram analisados 2574 adolescentes.

O objectivo era tentar perceber por que é que algumas pessoas parecem naturalmente mais felizes do que outras. A conclusão que o cientista chegou é que as pessoas que nascem com duas versões maiores do gene chamado 5-HTT têm mais probabilidades de dizerem que estão satisfeitas com a vida, do que aqueles com uma versão mais curta.

Este gene está envolvido no transporte de serotonina – o químico, que entre outras coisas, está associada ao sentimento de bem-estar. A variante longa deste gene permite uma libertação e uma reciclagem melhor da serotonina, do que a variante mais pequena. Cada pessoa tem duas variantes do gene, uma vinda do cromossoma do pai e outra do cromossoma da mãe.

Os 2574 adolescentes responderam a um inquérito que perguntava quão satisfeitos estavam com a sua vida. As respostas variavam entre “muito satisfeito”, “satisfeito”, “nem satisfeito, nem insatisfeito”, “insatisfeito” e “muito insatisfeito”.

Analisando a informação genética destes adolescentes, mais precisamente quais as variantes que cada um tinha para o gene 5-HTT, a equipa de De Neve verificou que 69 por cento dos que tinham duas cópias grandes do gene diziam que estavam satisfeitos (34%) ou muito satisfeitos (35%).

Por outro lado, os que tinham duas cópias curtas, só 38% diziam que estavam satisfeitos (19%) ou muito satisfeitos (19%). Ao todo, cerca de 40 por cento dos adolescentes disseram que estavam "muito satisfeitos" com a vida.

“Os resultados sugerem uma ligação forte entre a felicidade e a variação funcional deste gene”, disse o investigador citado pelo jornal britânico “The Telegraph”.

“Claro que o nosso bem-estar não é determinado por apenas um gene – outros genes e especialmente a experiência que vamos tendo ao longo da vida continua a explicar a maioria da variação entre a felicidade de cada um.”

http://www.publico.pt/Ciências/cientistas-associam-gene-a-felicidade_1493419


09.05.2011

Teórico das inteligências múltiplas ganha Prémio Príncipe das Astúrias






















O cientista norte-americano Howard Gardner ganhou hoje o Prémio Príncipe das Astúrias das Ciências Sociais 2011, pelo trabalho feito na área da cognição e aprendizagem, onde desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas. O prémio de 50 mil euros será entregue no Outono.




Gardner apresentou a sua teoria das inteligências múltiplas em 1983, com a qual mudou radicalmente o modo de entender a cognição, a inteligência e a educação.

O cientista, nascido em 1943 nos Estados Unidos e que obteve um doutoramento em psicologia social, pela Universidade de Harvard, em 1971, defende que não existe uma inteligência única. Considera que cada indivíduo possui pelo menos oito habilidades cognitivas. Estas inteligências são a linguística, lógico-matemática, corporal-cinestésica, musical, espacial, naturalista, interpessoal e intrapessoal.

Segundo a teoria, as oito não têm um valor intrínseco e “o comportamento do indivíduo na sociedade, fazendo uso da sua inteligência, constitui uma questão moral fundamental”, diz o comunicado em que é divulgada a atribuição do prémio. A teoria é em si mesma uma grande crítica à forma como se via a inteligência e como esta era avaliada, por exemplo através dos testes de QI.

“Estou entusiasmado e honrado por receber este prestigioso prémio”, disse em comunicado Howard Gardner, acrescentando que sempre se considerou um cientista social.

O norte-americano criticou a prevalência quase absoluta dos métodos quantitativos nas ciências sociais anglo-saxónicas, e disse ter ficado contente pelo “prémio reconhecer uma vertente das ciências sociais que envolve analises qualitativas e uma sintese alargada do conhecimento”.

Desde 1972, Gardner é co-director do Projecto Zero, na Universidade de Harvard, onde tem vindo a desenvolver um modelo de uma “escola inteligente”, na qual a aprendizagem é fruto do acto de pensar. A maior parte do trabalho está a ser aplicado em escolas públicas norte-americanas, principalmente em bairros pobres.

O cientista já publicou 25 livros, traduzidos em 28 línguas, e recebeu 26 doutoramentos honoris causa. Ganhou em 1984 o Prémio Nacional de Psicologia dos Estados Unidos. Em 2005 e 2008 foi considerado um dos cem intelectuais mais influentes do mundo pelas revistas Foreign Policy e Prospect.

Este é um dos oito prémio que a Fundação Príncipe das Astúrias atribui, todos os anos. Antes, foi anunciado o prémio das Artes ao director de orquestra italiano Riccardo Muti. Nas próximas semanas serão atribuídos os prémios da Comunicação e Humanidades, Investigação Científica e Técnológica, Letras e Cooperação Internacional. Os prémios para o Desporto e da Concórdia serão atribuídos em Setembro, antes da cerimónia feita no Outono, onde os premiados recebem o galardão, pela mão do príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon.

Anthony Giddens e Paul Krugman foram outros cientistas que receberam este prémio.


http://www.publico.pt/Ciências/teorico-das-inteligencias-multiplas-ganha-premio-principe-das-asturias_149370511.05.2011 - 16:13 Por Nicolau Ferreira
Related Posts with Thumbnails