domingo, 20 de março de 2011

Progesterona dá o empurrão final para o espermatozóide fecundar o óvulo


Os espermatozóides humanos têm que fazer uma longa caminhada para alcançar o óvulo. Mas quando lá chegam ainda têm que atravessar a capa que o rodeia, isso exige uma activação e movimentação especial do flagelo, a cauda do espermatozóide. Dois estudos independentes publicados hoje na edição online da revista Nature mostram que esta activação é causada pela hormona progesterona segregada pelo próprio óvulo, que provoca uma inundação de iões de cálcio no flagelo, activando-o.

Os iões de cálcio atravessam canais na membrana da cauda do espermatozóide e provocam uma série de processos dentro da célula. A entrada é comandada por uma proteína membranar descoberta há cerca de dez anos chamada CatSper.

Duas equipas de investigação, uma dos Estados Unidos e outra da Alemanha, descobriram que é a progesterona que activa a CatSper. A hormona feminina, que é importante para o ciclo menstrual da mulher e para a manutenção da gravidez tem normalmente um efeito na expressão dos genes das células. Mas não neste fenómeno.

A equipa de Benjamin Kaupp, que investiga no Centro Europeu de Estudos e Investigação Avançados, em Bona, na Alemanha, conseguiu medir a entrada de cálcio quando juntou progesterona a esperma humano. Este fluxo foi tão rápido, que terá que ser a própria proteína CatSper a detectar a progesterona e a provocar a entrada do ião.

Segundo Kaupp, algumas das causas da infertilidade podem estar relacionadas com este sistema, que se não funcionar, impede o espermatozóide de ter a força suficiente para penetrar a camada externa do óvulo e fundir-se. “Pode ser que alguns óvulos não produzam progesterona suficiente, ou que alguns espermatozóides não sejam sensíveis à progesterona”, disse, citado numa notícia da Nature.

A equipa do departamento de fisiologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco, formada por Polina Lishko e colegas, conseguiram medir a corrente eléctrica criada pela entrada de cálcio. A equipa verificou que tanto a progesterona, como um aumento de pH, faziam disparar a corrente. Mas quando bloquearam a CatSper, o fluxo reduzia.

“A CatSper é vista como o melhor dos novos alvos para contraceptivos”, disse Polina Lishko em comunicado. “Assim que encontrarmos o local de ligação [entre a progesterona e a CatSper] há o potencial de se construir um químico que não é parecido em nada com asteróides”, acrescentou, referindo-se à classe de fármacos utilizada para anticontraceptivos, e que podem ter efeitos secundários.

|Nicolau Ferreira, Público - 16.03.2011

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